sábado, 23 de março de 2013



Fundação de atitude da Atenção Plena
Este texto é uma adaptação do livro de Jon Kabat Zinn – Full Catastrophe Living

1. Não julgar - testemunha imparcial para suas próprias experiências - não é bom ou ruim, apenas é. Não bater-se para julgar, apenas perceber o que está fazendo.

2. Paciência - as coisas devem se desdobrar em seu próprio tempo - não há necessidade de sermos impacientes com nós mesmos, encontrar a mente que  julga todo o tempo ou perceber se estamos tensos ou agitados ou com medo.

3. Mente de principiante - uma mente que está disposta a ver tudo como se fosse a primeira vez - permite-nos estarmos  livre de nossas expectativas com base em nossas experiências passadas. A próxima vez que você vê alguém que é familiar, pergunte-se se você está vendo esta pessoa com outros olhos, como ele ou ela realmente é, ou se você está vendo um reflexo de seus próprios pensamentos sobre esta pessoa. Tente com gatos, cônjuge, amigos, etc...

4. Confiança - confiança em si mesmo - é muito melhor confiar em sua intuição e em sua própria autoridade, mesmo se você cometer alguns "erros" ao longo do caminho, do que olhar para fora de si mesmo para buscar orientação. Se algo não está certo, por que não honrar seus sentimentos.

5. Não se esforçar - você não deve fazer isso por um propósito, para conseguir algo ou algum lugar. Não pense "Eu vou ficar relaxado neste momento", isto introduz uma idéia em sua mente de onde ela deveria estar, e junto com ela vem a noção de que você não está bem agora. Preste atenção ao que já está acontecendo no momento. Se você estiver tenso, então preste atenção DNA tensão.

6. Aceitação - aceitação significa ver as coisas como elas realmente são no presente. Se você tem uma dor de cabeça, aceite que você tem uma dor de cabeça. Isso não significa que você deve desistir de seu desejo de mudar e crescer. Isso significa que você deve ver com vontade as coisas como elas são.

7. Deixar ir – as pessoas tendem a segurar os pensamentos agradáveis ​​e tentam se livrar dos pensamentos desagradáveis. Na prática da meditação, intencionalmente deixe de lado a tendência de elevar alguns aspectos de nossa experiência e rejeitar outros. Em vez disso, deixe a nossa experiência ser o que é e pratique observá-la de momento a momento.



Os Véus do Ego
Matthieu Ricard
Monge Budista Theravada

Primeiro, concebemos o “eu” e nos apegamos a ele.
Depois concebemos o “meu” e nos apegamos ao mundo material.
Como água cativa na roda do moinho,
Giramos em círculos, impotentes.
Presto homenagem à compaixão que envolve todos os seres.
Chandrakirti

A confusão mental é um véu que nos impede de ver claramente a realidade, obscurecendo a nossa compreensão da verdadeira natureza das coisas. Na prática, essa confusão nos incapacita de identificar o comportamento que nos permita encontrar a felicidade e evitar o sofrimento. Quando olhamos para fora, solidificamos o mundo, projetando nele atributos que de modo algum lhes são inerentes. Ao olhar para dentro, congelamos o fluxo de consciência quando concebemos um “eu” entronizado entre um passado que não existe mais e um futuro que ainda não existe. Acreditamos que vemos as coisas como elas são e quase nunca colocamos em dúvida essa opinião. Atribuímos qualidades às coisas e pessoas e acreditamos que são intrínsecas a elas, pensando “isto é bonito, isto é feio”, sem nos darmos conta de que a nossa mente confere esses atributos àquilo que percebemos.

Dividimos o mundo inteiro em “desejável” e “indesejável”; atribuímos permanência ao que é efêmero e vemos entidades independentes naquilo que é uma rede de revelações que se transformam. Tendemos a isolar aspectos particulares de eventos, situações e pessoas, focalizando apenas essas particularidades. É assim que rotulamos os outros como ”inimigos”, “bons”, “maus” e assim, por diante, e consideramos essas atribuições permanentes. No entanto, se avaliarmos bem a realidade, essa complexidade se torna óbvia.

Se uma coisa fosse verdadeiramente bela e agradável, se essas qualidades de fato pertencessem a ela, nós a veríamos como desejável em todos os momentos e lugares. Mas existe algo neste mundo que seja considerado belo por todos? Como diz o verso budista: “Para aquele que ama, a bela mulher é objeto de desejo; para o eremita, é uma tentação; para o lobo, uma refeição”. Da mesma forma, se um objeto fosse intrinsecamente repulsivo, todos teriam uma boa razão para evitá-lo. Mas tudo muda se reconhecermos que estamos apenas atribuindo essas qualidades às coisas e pessoas. Não há, em um belo objeto, nenhuma qualidade intrínseca que o torne benéfico para a mente, assim como também não há nada em um objeto feio que, por causa dessa qualidade, cause dano a ela.

Do mesmo modo, uma pessoa que hoje percebemos como inimigo com toda a certeza é, para outro, objeto de afeição, e poderemos um dia criar laços de amizade com esse mesmíssimo indivíduo. Reagimos como se as características fossem inseparáveis da pessoa e do objeto sobre os quais as depositamos. Assim, distanciamo-nos da realidade e somos arrastados pelo mecanismo de atração e repulsão, mantido em constante movimento por nossas projeções mentais. Nossos conceitos congelam as coisas em entidades artificiais, fazendo-nos perder nossa liberdade anterior, do mesmo modo que a ajuda perde sua fluidez quando se torna gelo.

A cristalização do EGO

O Budismo define a confusão mental como o véu que nos impede de ter uma percepção clara da realidade e obscurecer a compreensão da verdadeira natureza das coisas. É também, no plano prático, a incapacidade de discernir os comportamentos que permitem encontrar a felicidade e evitar o sofrimento. Entre os muitos aspectos dessa confusão, o mais radicalmente perturbador é aquele que consiste em se apegar à noção de uma identidade pessoal: o ego.

O Budismo faz distinção entre um “eu” inato e instintivo – quando pensamos, por exemplo, “eu estou acordado” ou “eu sinto frio” – um ego com conceitual, moldado pela força do hábito. Atribuímos várias qualidades ao ego pressupondo que ele seja o núcleo do nosso ser, autônomo e duradouro.

A todo o momento, do nascimento à morte, o corpo passa por transformações incessantes, e a mente se torna palco de incontáveis experiências emocionais e conceituais. E, no entanto, nós insistimos em atribuir ao nosso ego qualidades de permanência, unicidade e autonomia. Mais ainda,  quando começamos a sentir que esse ego é vulnerável e precisa ser protegido e satisfeito, entram em cena o binômio aversão/atração – aversão por tudo o que o ameaça e atração por tudo que o agrada, conforta, aumenta a sua confiança ou faz com que se sinta bem. Esses dois sentimentos básicos, atração e repulsão, são as fontes de mar de emoções conflitivas.

O ego escreve o filosofo Budista Han de Wit, “é também uma reação afetiva ao nosso campo de experiência, um movimento mental de recuo baseado no medo”. Por medo do mundo e dos outros, por receio de sofrer, por angustia sobre o viver e o morrer, imaginamos que ao nos escondermos dentro de uma bolha – o ego – estaremos protegidos. Criamos, assim, a ilusão de estarmos separados do mundo, acreditando que dessa forma evitaremos o sofrimento. Na realidade, o que acontece nesse caso é justamente o contrário, uma vez que o apego ao ego e à auto - importância são os melhores ímãs para atrair o sofrimento.

O genuíno destemor surge com a confiança de que seremos capazes de reunir os recursos interiores  necessários para lidar com qualquer  situação que surja à nossa frente. Isso é totalmente diferente de retirar-se na auto – absorção, uma reação ao medo que perpetua profundos sentimentos de insegurança.

quinta-feira, 21 de março de 2013


As Catorze Práticas da Plena Consciência

1. Não idolatrar nenhuma doutrina, teoria, seja ela qual for, incluindo o budismo. Os sistemas de pensamento budistas devem ser considerados como guias para prática e não como a verdade absoluta.
2. Não pensar que se possui um saber imutável ou a verdade absoluta. Há que evitar a estreiteza da mente e o apego aos pontos de vista pessoais. Aprender a praticar a via do não apego de maneira a permanecer aberto aos pontos de vista dos outros. A verdade só pode ser encontrada na vida e não nos conceitos. Há que estar disponível para continuar a aprender ao longo de toda a vida e a observar a vida em si mesmo e no mundo.

3. Não forçar os outros, incluindo as crianças, a adotar os nossos pontos de vista seja por que meios forem: autoridade, ameaça, dinheiro, propaganda ou educação. Respeitar as diferenças entre os seres humanos e a liberdade de opinião de cada qual. Saber, no entanto, utilizar o diálogo para ajudar a renunciar ao fanatismo e à estreiteza do espírito.

4. Não evitar o contacto com o sofrimento nem fechar os olhos diante dele. Não perder a plena consciência sobre a existência do sofrimento no mundo. Encontrar meios de aproximação para com os que sofrem, seja mediante contactos pessoais, visitas, imagens, sons. Despertar e despertar os outros para a realidade do sofrimento no mundo.

5. Não acumular dinheiro nem bens quando milhões de seres humanos sofrem de fome. Não converter a glória, o proveito, a riqueza ou os prazeres sensuais na finalidade da vida. Viver simplesmente e compartir o tempo, a energia e os recursos pessoais com os que necessitam.

6. Não conservar a cólera ou o ódio. Aprender a examinar e a transformar a cólera e o ódio quando ainda não são mais que sementes nas profundidades da consciência. Ao manifestar-se a cólera e o ódio, devemos focar a atenção na respiração e observar de modo penetrante a fim de ver e compreender a natureza desta cólera ou ódio, assim como a natureza das pessoas que se supõe serem a sua causa. Aprender a ver os seres com os olhos da compaixão.

7. Não se perder, deixando-se levar pela dispersão ou pelas circunstâncias envolventes. Praticar a respiração consciente e focar a atenção no que está a acontecer neste instante presente. Entrar em contacto com aquilo que é maravilhoso, pleno de vigor e de frescura. Semear em si mesmo sementes de paz, de alegria e de compreensão de maneira a favorecer o processo de transformação nas profundidades da consciência.

8. Não pronunciar palavras que possam semear a discórdia e provocar a ruptura da comunidade. Mediante palavras serenas e de atos apaziguadores, fazer todos os esforços possíveis para reconciliar e resolver todos os conflitos, por pequenos que sejam.

9. Não dizer falsidades para preservar o interesse próprio ou para impressionar os outros. Não proferir palavras que semeiem a divisão e o ódio. Não difundir notícias sem ter a certeza de que são seguras. Falar sempre com honestidade e de maneira construtiva. Ter a coragem de dizer a verdade sobre as situações injustas mesmo que a nossa própria segurança fique ameaçada.

10. Não utilizar a comunidade religiosa para o interesse pessoal nem a transformar em partido político. A comunidade em que vivemos deve, contudo, tomar uma posição clara contra a opressão e a injustiça e esforçar-se por mudar a situação sem se envolver em conflitos partidários.

11. Não exercer profissões que possam causar dano aos seres humanos ou à natureza. Não investir em companhias que explorem os seres humanos. Eleger uma ocupação que ajude a realizar o ideal próprio de vida com compaixão.

12. Não matar. Não deixar que outros matem. Utilizar todos os meios possíveis para proteger a vida e prevenir a guerra. Trabalhar para o estabelecimento da paz.

13. Não querer possuir nada que pertença a outrem. Respeitar os bens dos outros, mas impedir qualquer tentativa de enriquecimento à custa do sofrimento de outros seres vivos.

14. Não maltratar o corpo. Aprender a respeitá-lo. Não o considerar unicamente como um instrumento. Preservar as energias vitais (sexual, respiração e sistema nervoso) através da prática da Via. A expressão sexual não se justifica sem verdadeiro amor e sem compromisso.

Em relação às relações sexuais, tomar consciência do sofrimento que podem causar no futuro a outras pessoas. Para assegurar a felicidade dos outros há que respeitar os seus direitos e compromissos. Estar plenamente consciente das suas próprias responsabilidades na hora de trazer ao mundo novos seres. Meditar sobre o mundo a que trazemos estes seres.

Thich Nhat Hanh

Sutra Anapanasati


Sutra AnapanaSati
Meditação da Atenção Plena ou
Meditação Mindfulness

Anapana Sati, significando plena consciência da respiração ("sati" significa atenção plena”, anapana" refere-se a respiração) é uma forma básica de meditação ensinada pelo Budha . De acordo com o ensinamento do Budha no Sutra Anapana Sati, praticar a meditação da consciência na respiração como uma parte do Nobre Caminho Óctuplo leva à remoção de todas as impurezas (Klesas) e, finalmente, a realização de Nibbana . 
O ensinamento de Budha é baseado em sua própria experiência na utilização de Anapana Sati como parte de seus meios para alcançar sua própria iluminação. No entanto, a atenção plena na respiração deve ser praticada junto com Metta Bhavana para assim não se retirar do mundo e perder a ligação emocional e compaixão (Kamalashila 1996).
O Sutra Anapana Sati é especificamente sobre a atenção plena na inspiração e expiração. Ele recomenda a prática da meditação Anapanasati como meio de cultivar os sete fatores do despertar: atenção, discernimento, persistência e, o que leva ao êxtase (piti), em seguida, para acalmar (sukha), que por sua vez leva à concentração e depois à equanimidade (Santi). Por fim, o Budha ensinou que com esses fatores desenvolvidos nesta progressão, a prática de Anapana Sati levaria a liberação ou Nirvana.
A meditação Anapana Sati é normalmente praticada tanto em conjunto com a Meditação Vipassana, com a Meditação Zazen, ou com a Meditação Soto Zen (ver nossa postagem sobre a Tradição Zazen Shikantaza). No entanto, antes do praticante poder usar a Meditação Vipassana, precisa primeiro desenvolver concentração suficiente através do uso da Meditação Anapana Sati.
A Prática
A prática da Meditação Mindfulness (como é conhecida no Ocidente) varia. Normalmente, para começar, é preciso sentar-se em uma posição confortável, com as costas e pescoço ereto. Também procure estar em um ambiente confortável e tranqüilo.
Respire naturalmente, sem pretender alterar o comprimento ou a profundidade da respiração. Se a respiração é curta, então, observar que a respiração é curta. Se a respiração é longa, então, observar que a respiração é longa.
Enquanto observa a respiração, o praticante treina a mente para ser sensível, calma, atenta ou focada em várias coisas. Ao inspirar observe todo o corpo, o êxtase, a mente ou os processos mentais, ao expirar torne-se sensível ao objeto observado. Pode também focar na inconstância, no desapego, cessação e renúncia e depois expire focando neste objeto. O treino na respiração leva o meditador a firmar, satisfazer ou liberar a mente e depois ao expirar firma, satisfaz ou libera a mente.
Uma mente não meditativa constantemente tem pensamentos que interrompem a concentração. Como as ondas no oceano, pensamentos surgem e eles caem lentamente ao longe. Ao desprezar os pensamentos, eles lentamente murcham e desaparecem.
Na tradição Budista, existem dois tipos de pensamentos: pensamentos do passado e pensamentos sobre o futuro. Diz-se que quando deixados sozinhos, a mente flui de um pensamento para outro, vagando sem rumo. Há pensamentos que trazem felicidade, e há pensamentos que trazem tristeza.
Os praticantes de meditação são ensinados a evitarem serem interrompidos pela passagem de pensamentos e para voltarem o foco na respiração, mais uma vez.
Os iniciantes na Meditação da Atenção Plena (Anapana Sati) podem seguir quatro etapas:
1.      Contar o sopro no final da expiração;
2.      Contar o fôlego no inicio da inalação;
3.      Concentre-se na respiração, sem contar;
4.      Concentre-se apenas no local onde a respiração entra e sai da narina ou na área do lábio superior. (Kamalashila, 1996)

Estágios da Meditação Anapana Sati

Formalmente, existem 16 fases ou lições da meditação Anapana Sati que são divididas em quatro tétrades. As quatro primeiras etapas envolvem concentrar a mente na respiração, que é o corpo – condicionado (Kaya-sankhara em Pali). O segundo envolve tétrade focando os sentimentos (Vedana), que é a mente – condicionada (Citta – Sankhara). A terceira tétrade envolve a concetração na própria mente (Citta) e a quarta tétrade concentra “a verdade” (Dhamma).
Qualquer meditação usando Anapana Sati deve começar no primeiro estágio, continuar com o segundo estado, e assim por diante, em sequencia. Se a meditação terminar em uma determinada fase, em seguida, na próxima meditação deve-se começar de novo a partir da primeira fase.
Fonte:
ü  Kamalashila (1996) Meditação Budista: A Arte da Tranquilidade e Insight. Birmingham: Windhorse Publicações
ü  Mindfulness com a respiração por Buddhadasa Bhikkhu. Sabedoria Publications, Boston, 1996
ü  A cada respiração por Larry Rosenberg. Clássicos Shambhala, Boston, 1998

quarta-feira, 20 de março de 2013


Meditação Atenção Plena (Mindfulness)
A Meditação da Atenção Plena é a essência de um programa de redução de estresse desenvolvido inicialmente por Jon Kabat-Zinn, na Universidade de Massachusetts. O trabalho é conhecidos pela siglas: MBSR Mindfulness Based Stress Reduction - Programa de Redução de Estresse Baseado na Atenção Plena; SRP (Stress Reduction Program)
No Programa de Redução de Estresse, corpo e mente são mobilizados para o aprendizado da atenção plena. Entre as suas características singulares está a de ter nascido dentro de um hospital universitário:
'MBSR foi originalmente criado para o manejo da dor crônica e é agora  utilizado amplamente para reduzir morbidade psicológica associada a doenças crônicas, para tratar transtornos emocionais e comportamentais" (Bishop et al, 2004, p.230).
O Programa de Redução de Estresse

O SRP pode ser entendido como uma intervenção educacional para pacientes clínicos, que se baseia num treino intenso em meditação de atenção plena (mindfulness). Durante o programa, os participantes aprendem uma série de técnicas formais e informais de redução de estresse que devem ser praticadas diariamente, durante as oito semanas do curso. As técnicas formais de meditação são: escaneamento do corpo, meditação e uma forma adaptada de Hatha Yoga. Entre as técnicas informais, citamos o comer, a reatividade ao estresse e as comunicações conflituosas (Miller et al, 1995, p. 193).

Quando se completa o programa, os pacientes são encorajados a praticarem as técnicas que eles considerarem mais agradáveis ou benéficas. (Kabat-Zinn et al, 1986, p.169).
A prática da Meditação de Atenção Plena pode ser assim resumida: sustentar a atenção, intencionalmente, no momento presente, sem julgar o que aparece na consciência.
Bishop e colaboradores (2004) propõe dois componentes para a Atenção Plena. O primeiro é adotar, na experiência, uma atitude particular de curiosidade, abertura e aceitação ao que surge na consciência. O segundo é a ‘Auto-Regulação da Atenção’, que tem como finalidade aumentar o reconhecimento dos eventos mentais daquele momento. Regula-se o foco da atenção para se observar as mudanças nos pensamentos, sentimentos e sensações, momento a momento. Isso conduz a uma sensação de estar presente e atento à experiência. Para se conseguir esse estado é necessário:
a) Sustentar a atenção por um período prolongado de tempo em algum foco, como a respiração.
b) Mudar o foco. Detectar e reconhecer os estímulos que surgem na consciência, como um pensamento, sentimento ou sensação física.
c) Retornar ao foco. Esse movimento de reconhecer o estímulo e retornar incessantemente ao foco é a essência da meditação.
"A auto-regulação da atenção e a mudança do foco envolvem uma experiência direta dos eventos da mente e do corpo, evitando, porém, ruminações e elaborações sobre a natureza desses eventos." (Bishop, 2004, p.232).
Como enfatizado acima, o programa é composto por técnicas formais e informais. O objetivo não é formar gurus, mas aplicar os recursos aprendidos nas técnicas formais, nas situações de estresse (Kabat-Zinn, 1982).
"A experiência acumulada ao longo dos anos sugere que, quanto mais uma pessoa pratica formalmente em casa, em momentos de baixo estresse, mais ela pode transferir essa habilidade para as situações de maior estresse" (Miller et al, 1995, p. 197).
Referências bibiográficas
BISHOP, Scott et al. Mindfulness: a Proposed Operational Definition. Clinical Psychology: Science and practice: V11 N 3. 2004
MILLER, John. FLETCHER, Ken. KABAT-Zinn, Jon. Three-year follow-up and clinical implications of a Mindfulness Meditation-Based Stress Reduction Intervention in the treatment of anxiety disorders. General Hospital Psychiatry 17. 1995.
KABAT-ZINN, Jon et al. FOUR-YEAR FOLLOW-UP OF A MEDITATION-BASED PROGRAM FOR THE SELF REGULATION OF CHRONIC PAIN: TREATMENT OUTCOMES AND COMPLIANCE. The clinical journal of pain. Vol. 2. No 3. 1996.
KABAT-ZINN, Jon. An outpatient program in behavioral medicine for chronic pain patients based on the practice of Mindfulness Meditation. General Hospital Psychiatry 4. 1982.

Psicologia Budista - Um novo caminho na Psicoterapia


Psicologia Budista

Luminosa é a consciência, radiante é a sua natureza,
Mas ela se torna obscurecida pelos apegos que a visitam.
Anguttara Nikaya
Os princípios transformativos

1.            Reconhecimento;
2.            Aceitação
3.            Investigação (corpo, sentimentos, mente e Dharmma)
4.            Não Identificação

Princípios:
1 – Ver a nobreza interna e a beleza de todos os seres humanos;
2 – A compaixão é a nossa natureza mais profunda. Ela surge de nossa interconexão com todas as coisas;
3 – Quando deslocamos a atenção da experiência para a consciência expansiva que conhece, a sabedoria surge.
4 – Reconheça os estados mentais que ocupam a consciência. Troque os estados não saudáveis por estados saudáveis;
5 – Nossas idéias do eu são criadas pela identificação. Quando menos nos apegarmos a idéias do eu, mais livres e felizes seremos.
6 – Nossa vida tem uma natureza universal e pessoal. Ambas as dimensões devem ser respeitadas se quisermos ser felizes e livres.
7 – A atenção cuidadosa a qualquer experiência é liberadora. A Atenção Plena (Mindfulness) traz perspectivas, equilíbrio e liberdade.
8 – A atenção consciente do corpo permite que vivamos plenamente. Ela traz a cura, sabedoria e liberdade.
9 – A sabedoria conhece quais os sentimentos que estão presentes, sem se perder neles. (o espaço da Atenção Plena abre maior bem-estar e humor).
10 – Os pensamentos geralmente são unilaterais e incorretos. Aprenda a se tornar consciente dos pensamentos, em vez de ficar perdidos neles.
11 – Há um inconsciente pessoal e um universal. Voltar a atenção para o inconsciente traz entendimento e liberdade.
12 – Os padrões não saudáveis da nossa personalidade podem ser reconhecidos e transformados em uma expressão saudável de nosso temperamento natural. (Reconhecendo seu tipo de personalidade).
13 – Existem desejos saudáveis e desejos não saudáveis. Saiba a diferença. Depois encontre a liberdade no meio deles. (A vontade de fazer).
14 – Se nos apegarmos à raiva ou ao ódio, sofreremos. É possível responder de modo intenso, sábio e compassivo, sem ódio.
15 – A ignorância entende mal o mundo e esquece quem nós somos. A ignorância dá origem a todos os estados não saudáveis. Liberte-se da ignorância e enxergue com sabedoria.
16 – A dor é inevitável. O sofrimento não é. O sofrimento surge da avidez. Abra mão da avidez e liberte – se do sofrimento.
17 – Fique atento à intenção. A intenção é a semente que cria o nosso futuro.
18 – Aquilo que visualizamos repetidamente muda o nosso corpo e a nossa consciência. Visualize a liberdade e a compaixão.
19 – O que pensamos inúmeras vezes molda o nosso mundo. Motivado pela compaixão, substitua os pensamentos não saudáveis pelos saudáveis.
20 – O poder da concentração pode ser desenvolvido por meio do treinamento interno. A concentração abre a consciência para profundas dimensões de cura e compreensão. (A saúde mental ótima requer concentração).
21 – Virtude e integridade são necessárias para a genuína felicidade. Proteja a sua integridade com cuidado.
22 – O perdão é tanto necessário como possível. Nunca é tarde demais para encontrar o perdão e começar novamente.
23 – Não existe separação entre interior e exterior, eu e outro. Cuidando de nós mesmos, nós cuidamos do mundo. Cuidando do mundo, nós cuidamos de nós mesmos.
24 – O caminho do meio é encontrado entre todos os opostos. Permaneça no meio e encontre o bem – estar onde quer que você esteja.
25 – Solte as opiniões, livre-se dos pontos de vista. Abra-se ao mistério.
26 – Um coração apaziguado da origem ao amor. Quando o amor encontra o sofrimento, ele se transforma em compaixão. Quando o amor encontra a felicidade, ele se transforma em alegria.

Jack Kornfield
The Wise Heart

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