sábado, 5 de setembro de 2015

Sindrome de Burnout no Direito


Síndrome de Burnout no Direito

Síndrome de Burnout – é um distúrbio psíquico que leva a quadros depressivos precedidos de esgotamento físico e mental intenso conforme definição de Herbert J. Freudenberger como: “um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional”.

Não importa a profissão, atualmente o stress faz parte da vida cotidiana em um mundo cada vez mais competitivo. Tensões emocionais e stress crônico devido a condições de trabalho extenuantes levam aos sintomas da Síndrome de Burnout. Embora encontremos nos profissionais das mais diferentes áreas de trabalho, um aumento na incidência naquelas que lidam direto e intensamente com outras pessoas e influenciam suas vidas. Duas profissões onde encontramos maior número de profissionais com sintomas são os da área da Saúde e a do Direito.

Sintomas – Muitos dos sintomas no início se confundem com a depressão. Mas a Burnout trás consigo o esgotamento físico e emocional que se refletem nos comportamentos como maior agressividade, isolamento, mudanças de humor, irritabilidade, ideação suicida, dificuldade de concentração, falha na memória, ansiedade, tristeza, pessimismo, baixa autoestima, sentimentos negativos, emoções destrutivas, paranoia entre outros. Em termos físicos enxaquecas, cansaço, sudorese, palpitação, pressão alta, dores musculares, insônia, distúrbios gastrointestinais, respiratórios e cardiovasculares e nas mulheres alterações no ciclo menstrual. Estes sintomas impactam profundamente na vida profissional e pessoal.

O que Burnout não é? - Não é apenas stress, embora o stress possa levar ao Burnout, também não é tédio muito embora quem sofre com o Burnout sinta-se desanimado com a vida profissional e o rumo que ela está tomando; além do fato que a produtividade cai profundamente pois o profissional não tem mais prazer no trabalho e nem se sente gratificado ou criativo. Portanto a Síndrome não pode ser ignorada nem deixada para depois. Não é uma desgraça, mas um alerta!

No Direito – Martin EP Seligman e seus colegas Paul R Verkuil e Terry H Kang publicaram um artigo – Porque os advogados são infelizes – na Deakin Law Review, e neste artigo apontam para o número crescente de advogados que se sentem infelizes com a sua profissão nos Estados Unidos. Isto acontece devido à natureza competitiva do sistema jurídico, pressão por resultados, autonomia limitada, na natureza pessimista da análise jurídica que se centra na identificação e antecipação de problemas. Muitos profissionais da área Jurídica sentem a falta de controle sobre as suas carreiras, longas horas de trabalho diário, falta de comunicação ou feedback eficaz, falta de clientes ou clientes difíceis ou clientes que relatam problemas que não são da área jurídica utilizando o advogado como psicólogo ou outro profissional, histórias carregadas de sofrimento e angustias que não podem ser solucionadas no escritório do advogado mas que estressam o profissional. Além das demandas do ambiente profissional que podem tornar-se elevadas demais influenciando também na vida pessoal e impedindo horas de lazer e relaxamento.

As 12 etapas da Síndrome de Burnout segundo Freudenberger – Segundo o pesquisador a progressão geral da Síndrome passa por 12 etapas:

1.      Compulsão para provar a si mesmo;
2.      Trabalho duro;
3.      Negligencia as necessidades do outro;
4.      Deslocamento de conflitos;
5.      Necessidade de rever valores;
6.      Negação dos problemas emergentes;
7.      Afastamentos da vida social;
8.      Mudanças comportamentais e de humor;
9.      Despersonalização;
10.  Sentimento de vazio interior;
11.  Depressão;
12.  Síndrome de Burnout

Quando o jovem advogado se forma e passa no exame da Ordem dando início ao desenvolvimento de sua carreira, ele automaticamente desenvolve uma necessidade de provar sua competência, ofuscar seus pares e se destacar por suas habilidades.  Não se dá conta que colocou os pés no caminho que leva ao Burnout.

Para acentuar os primeiros sintomas, são colocadas sobre ele as mais altas expectativas pessoais, a necessidade de provar que é insubstituível e que consegue lidar com todas as pressões - sozinho. Procurar um Coach ou uma terapia não se torna uma opção pois crê que poderia passar a impressão de fraqueza. Assim trabalha mais e mais ignorando suas próprias necessidades básicas de relaxamento lazer e descanso, dormindo pouco e trabalhando ou estudando nos finais de semana.

Muito embora nem todos os problemas que os advogados enfrentam possam ser atribuídos à sua linha de trabalho, são altas as taxas de Burnout  na área jurídica, o que sugere que certas características estressantes de ser um advogado deve ter pelo menos um efeito contributivo.

As exigências profissionais são muitas e incluem: pressões de tempo, sobrecarga de trabalho, concorrência, necessidade de conhecer uma ampla gama de temas jurídicos, necessidade de estar atualizado, dificuldade de equilibrar vida pessoal com as obrigações profissionais, lidar com casos complexos ou pessoas difíceis. Dificuldade para lidar com resultados muitas vezes injustos. Além das exigências psicológicas que levem o profissional na busca constante pelo perfeccionismo. Constante observância aos detalhes e análise lógica e objetiva, por isto, é comum muitos se tornarem workholics. Quando o nível de perfeição não é alcançado a insatisfação torna-se constante. Muitas vezes seus valores pessoais são confrontados com os valores do ambiente profissional, o que gera conflito psicológico profundo, que piora quando o profissional se recusa a buscar ajuda psicoterapêutica, desenvolvendo sentimentos crônicos de culpa e infelicidade.

Muitos advogados se queixam de não conseguirem tirar um tempo real de férias. A falta de tempo para relaxar e ter lazer implica potencialmente na saúde física e mental. Muito embora a profissão exija longas horas de trabalho para atender á carga de trabalho excessiva e clientes exigentes, principalmente para os profissionais associados ou autônomos é fundamental que o advogado aprenda  a gerir o tempo e estabelecer uma agenda de trabalho que inclua períodos de férias, mesmo que o ambiente de trabalho sugira que isto não seja sensato.

Advogados podem também serem pressionados pelos clientes para realizarem um excelente trabalho, de modo acelerado com uma relação custo-benefício eficiente. O cliente tem uma percepção entre as horas faturadas e os problemas que eles têm, porém para o advogado existe o problema da imprevisibilidade no que diz respeito ao comportamento do cliente, o atendimento das expectativas e sua capacidade legal de resolver o problema com custo eficiente.

Lidar com pessoas criminalmente perigosas, dificuldades financeiras, famílias ou rupturas conjugais complexas, humilhação pública, sabendo que muitas vezes o cliente não interage de forma construtiva. O advogado tem consciência que p cliente depende dele para garantir a sua liberdade, manter a sua qualidade de vida, obter a custódia de uma criança ou manter a viabilidade financeira. É enorme a pressão para preservar o bem – estar do cliente. São sempre questões sensíveis em que o emocional do advogado é colocado em check, o trabalho árduo do advogado pode passar despercebido.

Se não há uma interrupção neste processo, nem ajuda de um profissional adequado, surge à sensação de vazio interior. Os próximos estágios levam à depressão, colapso físico e emocional.

Solução em 3 etapas – A solução começa com três etapas:

1.      Reconhecer a situação e os sintomas;
2.      Reduzir o stress buscando ajuda com profissional da saúde mental;
3.      Desenvolver a resiliência, mais recursos físicos, emocionais e até mesmo espirituais.

Algumas sugestões – Quando o profissional se encontra nas fases iniciais ele pode diminuir os sintomas da Síndrome com estas sugestões:

1.    Faça uma lista das coisas que dão significado à vida, ao trabalho ou ao momento atual da profissão. Considere quando começou e onde está agora, estabeleça uma meta de chegada e o que precisa fazer para alcança-la. Afinal o que dá sentido á sua vida? Observe as coisas positivas que reforçam o bem estar e a gratificação quando se sente frustrado.
2.    Dieta equilibrada, regular e disciplinada. Respeite os momentos dedicados à alimentação, e quando estiver comendo, apenas coma, não leve o trabalho junto. Pratique exercícios físicos regularmente, procure um profissional adequado ou uma academia para uma orientação e atente para seguir suas recomendações para os exercícios de acordo com suas aptidões físicas.
3.    Contato social – A vida do profissional de Direito exige bons contatos profissionais. Ter novos amigos é bom, mas cultivar velhas amizades é melhor ainda. É muito importante criar histórias e memórias comuns.
4.    Tempo – Estabeleça tempo para a vida profissional, tempo para lazer e relaxamento, tempo para a família e tempo para cuidar da saúde. Procure descobrir coisas que realmente gosta de fazer e faça. Busque fazer coisas divertidas e diferentes. E tenha tempo para se dedicar aos cuidados da sua saúde mental emocional e até mesmo espiritual, ter alguém de confiança com quem possa conversar abertamente e que pode alertá-lo quando estiver ultrapassando os seus próprios limites.
5.    Desenvolva qualidade de vida.

Duas novas Terapias – As técnicas de tratamento da Síndrome de Burnout são muitas, mas duas têm protocolos científicos comprovando suas eficácias e profundos e duradouros benefícios: Mindfulness Based Stress Reduction (MBSR) e a Terapia Focada na Compaixão (CFT).

MBSR – A prática regular da Mindfulness (Atenção Plena) produz benefícios múltiplos no desenvolvimento da atenção plena que incluem: mudanças de comportamentos e hábitos, autorregulação e controle emocional, regulação da pressão arterial, melhora na qualidade do sono, melhora da memória (devido ao aumento da massa cinzenta do cérebro), maior inteligência emocional, diminuição ou cura das dores crônicas, diminuição do stress e seus sintomas, melhora a comunicação e os relacionamentos interpessoais, desenvolve a resiliência, melhora o reconhecimento dos sintomas físicos, diminui a agressividade, desenvolve a liderança consciente principalmente nos trabalhos em equipe.

A atenção plena tem sido associada a um número grande de benefícios para a saúde física mental e emocional, incluindo maior facilidade para lidar com as tensões, melhora no funcionamento cognitivo, diminui os riscos de desenvolvimento de diversas doenças crônicas, aumenta a criatividade e a empatia.

O treinamento da mente com Mindfulness aliado á Terapia Focada na Compaixão proporcionam:

1.    Aumento das emoções positivas e diminuição das emoções destrutivas, que produzem uma ampla gama de recursos pessoais (aumento da atenção plena, encontro do propósito de vida, apoio social, diminuição dos sintomas da doença), mais satisfação com a vida, redução do stress;
2.    Conexão social positiva – efeito moderado na base tônus vagal marcador fisiológico do bem-estar;
3.    Diminuição da enxaqueca e outras dores crônicas – alívio da tensão emocional associada a dores crônicas, raiva e sofrimento psicológico;
4.    Ativa a empatia e processamento emocional do cérebro;
5.    Aumento da massa cinzenta do cérebro e outros aspectos da neuroplasticidade – áreas do cérebro relacionadas com a regulação da emoção;
6.    Relaxamento – controle cardíaco parassimpático (capacidade de entrar em um estado de relaxamento e reparação);
7.    Diminuição no processo de envelhecimento – As duas técnicas atuam diretamente nos telômeros (marcador biológico do envelhecimento);
8.    Aumento da empatia – Comportamento pró-social, aumento da compaixão por si - mesmo e com o outro; experiências afetivas positivas; diminui o preconceito implícito contra as minorias; maior percepção de conexão social.

A prática regular e disciplinada (em torno de 24 minutos diariamente, e que podem ser divididos em dois períodos) cultiva uma consciência voltada para o momento presente, por isto não só previne o Burnout como ajuda a lidar com todos os sintomas e o tratamento médico necessário.

Mas se você já percebeu os sintomas da Síndrome de Burnout não permita que a sua evolução o leva à quadros de depressão crônica e outras doenças graves. O tratamento para a Síndrome inclui a psicoterapia, medicação, mudanças no estilo de vida, atividade física regular. É muito importante inclusive uma análise junto com o psicoterapeuta para avaliar se é o ambiente profissional que levou ao desenvolvimento do Burnout ou são as atitudes da própria pessoa que gerou a Síndrome.

Sonia A F Santos – Psicoterapeuta, Mindfulness Therapist e Compassion Therapist. Facilitadora do programa de Mindfulness Based Stress Reduction (MBSR) e do Curso Intensivo de Mindfulness. Atende com hora marcada. Contato: saleela.devi@gmail.com consultas presenciais ou On Line.

Informe-se sobre palestras gratuitas (dependendo da localidade) sobre Mindfulness e Terapia Focada na Compaixão e sobre Curso Intensivo de Mindfulness Based Stress Reduction para profissionais da área Jurídica ou sobre a participação no Encontro de Mindfulness e Compaixão no feriado de 12 de outivro no Centro Paulus/SP.

Referências:
·           Emma Seppala, PhD – The Science of Happiness Health & Sucess;
·           www.lawyerwithdepression.com          
·           Cary Cherniss – Beyond Burnout: Helping Teachers, Nurses, Therapist and Lawyers 










terça-feira, 25 de agosto de 2015

Despertando o Fluxo da Consciência

Retiro de Meditação Mindfulness (Atenção Plena) e Metta Bhavana (Compaixão)

Tema: Despertar o Fluxo da Consciência

O nosso Retiro de Meditação Metta Bhavana vai acontecer nos dias 10 a 12 de Outubro de 2015, onde estudaremos o tema: Despertar da Consciência com prática de meditação Metta Bhavana e Mindfulness.

Ele acontecerá no Centro Paulus, que se localiza na Rua Amaro Alves do Rosário, 102 que fica em Parelheiros em São Paulo/SP  CEP.: 04884 – 000. Fotos do local e das acomodações podem ser vistas no BLOG.: http://saleeladeviterapias.blogspot.com.br/

Venha passar pela experiência de um retiro de meditação onde poderá desenvolver a sua atenção, foco e concentração com práticas contemplativas e dar os passos para investigar o Self com a sua sabedoria interna. Sabemos da importância de termos compaixão para podermos cultivar e equilibrar as nossas emoções, como também sabemos da relevância da compaixão para com o outro, não vivemos sozinhos e se desejamos mudar o mundo em que vivemos precisamos começar mudando a nós mesmos.

Este evento é aberto a todas as pessoas com idade acima dos 18 anos e que buscam o comprometimento com o autoconhecimento, desenvolvimento e expansão da consciência. Não é necessário ter prática em meditação.


Várias pesquisas e estudos científicos estão sendo desenvolvidos em diversas universidades e centros de pesquisas como o CCARE da Universidade de Stanford, a Universidade de Massachusstes, Universidade de Wisconsin sobre a importância da Compaixão e do Altruísmo. Pesquisadores como Paul Gilbert, Sharon Salzberg, Dr. Richard Davidson, W. Alan Wallace, entre muitos outros nomes de relevância e respeito no mundo científico, acompanhados e motivados por SS Dalai Lama e o Monge Matthieu Ricard que trabalham arduamente para incluir a Compaixão em todos os aspectos da vida do ser humano como fonte de cura, saúde e paz. Desejamos com este retiro possa levar a todos a reflexão deste tema em um trabalho consigo mesmo e com o próximo.

A PROGRAMAÇÃO DOS DIAS 10 A 12 DE OUTUBRO INCLUI:

·      Mindfulness (Atenção Plena) e Loving Kindness (Bondade Amorosa/Compaixão) – Despertando a Consciência
·      As quatro Virtudes do Despertar da Consciência
·      Desenvolvendo Meditação da Compaixão;
·      Estudo da Consciência: – Estados, Camadas, Memes e Vmemes;
·      A Evolução da Atenção na prática da Mindfulness e da Compaixão
·      O Self que nós podemos mudar;
·      A importância da Sabedoria
 -   Mindfulness e a Autosabotagem
 -   A Compaixão consigo mesmo e seus benefícios, trazendo junto a sua história
·      Exercícios de Compaixão e Loving Kindness e seus efeitos na saúde física mental e emocional
·      Exercícios Respiratórios e de alongamentos (Ba Duan Ji  - Os oito Brocados de Seda do TAI CHI).

Valor do Investimento no Retiro – Despertar da Consciência – R$ 400,00, que inclui aulas teórico/práticas, apostilas e CD, :

1)     Taxa de Reserva de Vaga: R$ 100,00 (não será devolvida em caso de desistência)

2)     Valor Restante:  de R$ 300,00 pago até três dias antes do evento com deposito bancário

Valor do Centro Paulus – Hospedagem que inclui: três refeições (café da manhã, almoço e jantar - Comida Vegetariana - Alimentos do local) mais dois Coffees Breaks mais alojamento, deverá ser pago diretamente ao Centro Paulus (Parelheiros) – para escolher o tipo de acomodação e fazer a reserva e pagamentos entre em contato pelos Telefones: 59208933 ou 5920835 – Avisando que é o Retiro com a Sonia A F Santos (Saleela Devi) na data de 10 a 12 de Outubro.

Acomodação
Albergue
Apto Standard
Apto Especial
Individual
R$ 173,00
R$ 260,00
R$ 290,00
Duplo
R$ 306,00
R$ 375,00
R$ 415,00
Triplo
R$ 405,00
R$ 508,00
R$ 560,00

Lembrando que já combinei a entrada para o Retiro no dia 9 de Outubro à noite para que possamos começar todos juntos no sábado logo após o café da manhã. Em caso de necessitar que alguém vá buscar é só combinar com eles que costumam fazer este trabalho. Saiba mais como ganhar um desconto na sua participação!

A facilitadora não se responsabiliza pelo transporte, caso aja alguém que queira oferecer carona aviso com antecedência, mas não há garantias.

Contato com a Facilitadora:


Telefone: (11) 9 9463 5825 (Claro)


Psicoterapeuta Sonia A. F. Santos – Mais de 15 anos de experiência como Analista Junguiana, Integral Therapist, Trance Therapist e Mindfulness Therapist. Atua com diversas ferramentas como, por exemplo: Regressão, Terapia Focada na Compaixão, Voice Dialogue, Hipnose Ericssoniana, Terceira Geração da Hipnose, Psicologia Contemplativa, Calatonia, Spiritual and Life Coach, Arteterapia. Facilitadora e coordenadora de cursos, grupos de estudos, palestras, retiros, oficinas e workshops nas áreas de desenvolvimento e expansão da consciência, Programa de 8 Semanas de Mindfulness (MBSR),  Terapia de Grupo, Treinamento em Meditação, Pensamento Filosófico Oriental, Espiritualidade Integral, Mandalas, Meditação nas Empresas e Escolas, Um Curso em Milagres entre outros. Atende com hora marcada na Chácara Santo Antônio.







sábado, 22 de agosto de 2015

MIndfulness e Compaixão - No Tratamento Psicológico de Refugiados e Traumatizados



Mindfulness e Loving Kindness (Metta Bhavana)
Para Refugiados e Traumatizados
Mindfulness (Atenção Plena) é uma técnica de meditação de origem budista que possui o nome de Shamatha (sânscrito) ou Anapanasati (Pali). Foi trazida para o Ocidente e tem sido amplamente pesquisada nos centros de pesquisas científicas de grandes Universidades por cientistas como Jon Kabat Zinn, Dr. Richard Davidson, Daniel Goleman, Sharon Salzberg, Sara Lazar, entre tantos outros que buscam desta forma conhecer a fundo os profundos benefícios que Mindfulness proporciona na saúde física, mental e emocional. Da neuroplasticidade, aumento da massa cinzenta do cérebro, melhora da memória e concentração, controle do stress, diminuição das dores crônicas, regulação e controle emocional, diminuição do stress e seus sintomas físicos e emocionais estão entre muitos resultados protocolados.
A prática de Mindfulness tem sido incentivada em diferentes casos, desde gestantes, pacientes oncológicos, crianças com TDH, pacientes psiquiátricos com diferentes transtornos: Alimentares, Obsessivos Compulsivos Impulsivos, Depressão e Ansiedade até na área de educação e grandes corporações. É uma técnica que pode ser realizada por pessoas de todas as idades, sexo e condições de saúde física e emocional, e em qualquer lugar o que facilita o incentivo, pois não necessita de ambiente, roupa música ou postura específica. É simples, sendo considerada uma técnica de meditação passiva com objeto, e para facilitar o professor aconselha que o objeto seja a respiração o que facilita a prática em qualquer momento do dia e em qualquer lugar ou situação depois que o aluno aprende a fazer.
Parece fácil, mas nem tanto – a grande maioria das pessoas tem dificuldade de manter a mente focada em um objeto por muito tempo; muitos não conseguem manter o foco mental por mais que alguns segundos sem que um pensamento surja ou uma distração qualquer tire a atenção. Acostumados e motivados a pensar, as pessoas normalmente possuem pensamentos ruminantes e ações automáticas. Atividades cotidianas simples são executadas automaticamente, estamos em muitos lugares ou no passado, ou futuro, tentando solucionar problemas, dialogando mentalmente e muito mais, mas dificilmente estamos inteiramente centrados no momento presente. Mindfulness tornou-se muito importante porque ela desenvolve a atenção plena e consciente no momento presente, sem julgamentos.
Os praticantes de meditação avançados sabem que a prática evolui, passando por nove estágios já estudados, não é preciso chegar ao ultimo para perceber as profundas mudanças pelo qual o praticante passa, e, neste processo evolucionário percebe-se uma mudança importante – o comportamento compassivo, ou seja, a Mindfulness evolui para outra técnica conhecida no Budismo como Metta Bhavana (Loving Kindness ou Bondade Amorosa, como se tornou conhecida no Ocidente). Desta evolução foi desenvolvida outra terapia – Terapia Focada na Compaixão (CFT), considerada como a terceira geração da Terapia Cognitiva.
Agora muitos cientistas da saúde mental como Paul Gilbert – Psicólogo Phd (Inglaterra) – Terapia Focada na Compaixão (CFT) e Mindfulness e, Paul Frewen – Psicólogo PhD (Canadá) – Mindfulness e Metta Trauma Therapy (MMTT) - estão aplicando estas duas técnicas como abordagens terapêuticas na saúde mental.
Isto significa utilizar a Mindfulness em conjunto com a Metta Bhavana (Bondade Amorosa) no tratamento de pacientes que sofrem com Traumas e distúrbios devido ao stress e seus sintomas. O uso da Compaixão e do Altruísmo no processo terapêutico proporciona a regulação e controle emocional (ajuda o paciente a lidar melhor com as emoções difíceis),
Princípios Básicos: A prática das meditações: Mindfulness e Metta Bhavana incluem – prática do Yoga (exercícios de alongamentos suaves), exercícios de respiração, exercícios de Body Scan (relação mente/corpo/sintomas e sensações), meditações guiadas (práticas sentadas), meditação com movimento (Caminhando ou durante a execução de atividades normais do cotidiano), devidamente ensinadas por um professor de meditação Mindfulness e Metta Bhavana ou pelo profissional que faz o acompanhamento do processo terapêutico.
Traumas – A ciência já conhece o processo fisiológico do stress que pode culminar nas doenças autoimunes. Desta forma o stress leva também a sérios problemas psicológicos causados por uma ou mais experiências traumáticas ou eventos com relacionamentos interpessoais. As definições destes eventos traumáticos são muito amplas, mas podem também serem bem específicas, mas o importante é que o dano que contínua influenciando a vida da pessoa ao longo de muitos anos. Como exemplo de traumas podemos apenas citar alguns:
·        Rejeições, abandonos, traições em relacionamentos amorosos ou interpessoais;
·        Luto, perdas de pessoas amadas, amigos, comunidades;
·        Agressões físicas ou sexuais, estupros, assaltos, sequestros e torturas;
·        Testemunho de agressões com outras pessoas ou vivencia de situações de guerra, conflitos armados, catástrofes naturais; acidentes (carro, trabalho, etc.)
·        Abusos verbais e/ou emocionais, intimidações (sexuais, físicas, políticas)
·        Conflitos emocionais como culpa, vergonha com danos físicos e/ou psicológicos.
Muitos dos sofrimentos infringidos pela tortura têm efeitos duradouros nos sobreviventes, o que se torna um problema de saúde pública uma vez que atinge não só os sobreviventes, mas também as suas famílias e comunidades. Atualmente são mais de 9 milhões de  refugiados e quase 10 milhões que requerem asilo (refugiados, deslocados internos, apátriados, e outras pessoas que passaram ou tiveram diante de altos riscos de violações dos direitos humanos) em vários países ao redor do mundo.
Pessoas traumatizadas têm muita dificuldade de se ajustarem a uma nova oportunidade de vida mesmo quando estão em suas próprias comunidades, mas os refugiados e asilados tem ainda mais reduzidas a capacidade de se reassentarem e integrarem a uma nova sociedade. Algumas pessoas são mais resilientes, outras, no entanto passam por grandes mudanças duradouras em suas personalidades. Por isto além de terem que ter supridas as suas necessidades básicas e ajuda no processo de readaptação como emprego, moradia e educação, eles podem necessitar de ajuda psicológica e/psiquiátrica.
Pessoas que passaram por uma experiência traumática podem ter memorias intrusivas, angústias, pensamentos ruminantes, dores crônicas, tics nervosos, percepções sensoriais, descontroles emocionais que podem culminar em transtornos como: ansiedade, depressão, déficit de atenção, dissociação. Não conseguem controlar o medo, preocupação e ansiedade o que dificulta relacionamentos pessoais e profissionais, ajustes a novas normas sociais no caso de refugiados, por exemplo, ou novas famílias (crianças e adolescentes). Algumas pessoas se sentem incapacitadas para retomar o controle de suas vidas, mesmo diante das atividades normais da vida cotidiana, muitas tentam esquecer o evento, mas não conseguem evitar as lembranças intrusivas e angustiantes, tendo assim muita dificuldade de manter a atenção e o centramento do que acontece no momento presente. Algumas chegam a passar pela experiência de estados alterados de consciência - distúrbios, alterações de sentido de tempo e espaço, relação mente corpo e emoções, flashbacks das experiências traumáticas, perda de noção do momento presente, sensação de aceleração ou desaceleração do tempo, além dos pensamentos ruminantes alguns declaram ouvir vozes, sensação de estarem fora do corpo, ou de perda de parte do corpo, ou de não estarem no próprio corpo, sensação de entorpecimento ou de não conseguirem mais experimentarem emoções nem positivas nem negativas, não conseguem mais se reconhecer, ou sentem-se divididas ou aparentemente separadas de si – mesmo.
Devido a algumas destas situações, muitas pessoas buscam refúgios tentando de alguma forma aprender a viver em outro país, levando consigo a experiência traumática enquanto se ajustam a uma nova cultura. Alguns conseguem um tratamento psicológico ou psiquiátrico para dar suporte a este reinicio, muitos tentam se ajustar sem um acompanhamento adequado.
A Mindfulness Therapy em conjunto com a Terapia Focada na Compaixão ou a Metta Bhavana Therapy ajudam as pessoas que passaram por experiências traumáticas a regularem e controlarem suas emoções, lidarem com os sentimentos difíceis, melhorarem a condição física e bem-estar geral, desenvolverem foco e atenção consciente, a cultivarem o desenvolvimento da autocompaixão, da bondade amorosa para consigo mesmo e com os outros, sem julgamentos ou críticas.  O processo intercalado de Mindfulness e Bondade Amorosa/Compaixão ajudam as pessoas com stress pós-traumático a se tornarem mais conscientes de si-mesmas e da vida cotidiana. Isto proporciona:
·        Qualidade de Presença – Aprendem a viver no momento presente, sem esquecerem-se do passado suas histórias, memórias e emoções, porém se relacionando com o presente de forma mais íntegra;
·        Desenvolvimento da Consciência – Aprendem a tornarem-se mais conscientes dos seus cinco sentidos, estados emocionais, a compreenderem e descreverem suas experiências, a manterem os “pés no chão”;
·        Deixar ir – Aprendem a reconhecer a hora de deixar “ir” o passado e suas experiências traumáticas, a ficarem menos conectados com emoções destrutivas e a não reagirem automaticamente a impulsos ou desejos prejudiciais;
·        Bondade Amorosa – Aprendem a sentir maior compaixão e altruísmo por si mesmo e pelos outros, o que contribui para aumento da autoestima e autoconfiança;
·        Centramento e Foco – Desenvolvimento do sentimento de segurança, maior conexão com o próprio corpo e as sensações e sintomas, tornarem-se capazes de sentir prazer e alegria com o corpo, com as pequenas conquistas diárias e a tolerarem melhor as dores físicas e as angustias emocionais;
·        Aceitação – Aprendem a aceitar as coisas como são, as quem podem ser mudadas e as que não podem, a tomar a atitude de provocar mudanças a partir de suas próprias ações.
A prática dos exercícios deve ser ensinada para que o paciente possa executá-la todos os dias, anotando em um diário todos os sintomas, pensamentos, emoções positivas ou destrutivas que tenha experimentado no momento. O profissional que o acompanha deve gravar meditações guiadas que o paciente ouvirá de modo a facilitar a prática da Mindfulness e da Metta Bhavana, deve também ensinar a substituir os pensamentos negativos, ilógicos, fantasiosos ou prejudiciais por outros mais equilibrados, positivos, construtivos, fundamentados ou adaptados. Deve ensinar exercícios de alongamentos simples, exercícios de respiração, a relação mente/corpo/emoções, e outros ligados a terapias corporais, incentivando-o a registrar os pensamentos automáticos, a reconhecer os obstáculos à prática e como solucioná-los de modo a ajuda-los e motivá-los na prática diária para que possam sentir as alterações, dificuldades e os benefícios, fazendo - o compreender que para que a técnica surta resultados benéficos e duradouros deve haver disciplina, perseverança e determinação. As práticas quando bem executadas tornam o paciente menos vulneráveis ao stress, depressão e ansiedade, o que contribui na recuperação dos sintomas traumáticos e sintomas do stress, ajudam também na adaptação da nova experiência de vida.

Esta composição de técnicas quando aplicadas à refugiados e minorias sociais resultam em maior flexibilidade emocional, atuam nos pensamentos automáticos, servem como técnicas de controle emocional, diminuem a perturbação somática, diminui o viés atencional á ameaça, faz parte de um novo modo de processamento adaptativo (que em conjunto com a CFT centra na flexibilidade psicológica).

Referencia:
·        Acceptance And Mindfulness Tecniques as Applied to Refugee And Ethnic Minority Populations With PTSD – Cognitive And Behavioral Practice – Vol 20 – Feb/2013;

·        MMTT – Mindfulness & Metta Based Trauma Therapy – Dr Paul Frewen Western University Canadá;

·        Loving – Kindness In The Treatment Of Traumatized Refugess And Minority – Journal Clinical Psychology -  VOL 69 – 2013

·        Treating Survivors of Torture and Refugee Trauma – Journal of Alternative And Complementary Medicine – 2008 Sep

·        Compassion Mindfulness – Paul Gilbert PhD

·        The Compassive Mind – Paul Gilbert PhD