domingo, 16 de agosto de 2015

Minffulness e o Câncer


Mindfulness (MBSR) no Tratamento contra o Câncer
Lembro bem quando saiu o resultado dos exames da minha mãe- Câncer de Mama.  A palavra câncer por si só já causa muito stress, parece uma sentença de morte, mesmo diante de tantos avanços da medicina, do carinho e apoio dos médicos, amigos, vizinhos e parentes.
A experiência de ter uma pessoa que se ama com este diagnostico  é muito estressante, porém maior stress passa aquele que está com a doença. Sabemos que o câncer trás junto de si muita angústia que pode levar à depressão, ansiedade, medo e levar até os transtornos mentais, que somente ajudam a complicar o tratamento contra o câncer. Lembro-me dos médicos sempre pedindo para mantermos um estado de humor saudável, tentando não deixar que a minha mãe ficasse triste ou deprimida pois isto influenciava no tratamento. Hoje como Analista Junguiana e especialista em Mindfulness Therapy fico imaginando como a ciência avançou nos tratamentos e como é muito importante não permitir que o stress afete os pacientes com câncer, e o quanto a psicoterapia e a prática de Mindfulness pode colaborar com todo o processo de tratamento. Mindfulness não é um paliativo, tão pouco um placebo.
Hoje fico muito feliz ao ver que praticar meditação não é somente mais uma prática para buscadores espirituais ou devotos de religiões orientais, mas que a ciência está investigando profundamente uma técnica de meditação de origem budista remontando a mais de 2.000 anos de prática contemplativa por adeptos ao redor do mundo e, que pode ser praticada por qualquer  pessoa, de qualquer idade e condição de saúde, independente da crença religiosa/espiritual e suas práticas. Não somente para evolução espiritual, busca pela iluminação ou experiência de samadhi, mas também e é aqui que a ciência mais estuda, a cura do stress, depressão, ansiedade entre tantos outros benefícios comprovados e protocolados, inclusive a diminuição e controle das dores crônicas causadas por doenças como o câncer.
Dezenas de milhares de pessoas que passaram pelo treinamento de oito semanas do Programa de Mindfulness Based stress Reduction (MBSR) e intervenções clínicas relacionadas com a Minfulness Therapy em todo o mundo se beneficiam da prática e seus benefícios para a saúde física, mental e emocional. A prática inclui exercícios de compreensão da relação mente / corpo, exercícios de alongamento, exercícios de respiração e prática meditativa passiva. Os estudos científicos elucidam os mecanismos de como a meditação Mindfulness influencia os aspectos fisiológicos do corpo e fornecem suporte para os seus efeitos na saúde e bem-estar.
Na depressão o paciente revive seus momentos passados, sejam eles bons ou ruins, na ansiedade ele foca em um futuro ainda não existente, em ambos os casos  há sofrimento, e o único lugar onde a pessoa não está é no momento presente.  Mindfulness envolve intencionalmente a conscientização do momento presente, convida a uma experiência  de abertura e curiosidade com o que acontece agora, o que leva à autocompaixão e a bondade amorosa com todos os outros, sem julgamento ou critica nem apego aos pensamentos ruminantes e crenças. Pois Mindfulness significa ver e experimentar as coisas como elas realmente são, usando todos os cinco sentidos, consciente de seus pensamentos, emoções/sentimentos, ações e reações, sem julgamento, buscando identificar as ações baseadas no piloto automático, e compreendendo os sintomas do corpo.
Na meditação passiva Mindfulness (Shamatha) é uma técnica conhecida como sendo uma meditação com objeto, o praticante escolhe um objeto de atenção, é aconselhável que o objeto seja a respiração porque é uma ação que estamos executando onde quer que estejamos, mas poderíamos escolher qualquer outra cosia, o foco da atenção será sobre o objeto escolhido, mesmo quando a mente divaga, o praticante simplesmente volta a focar no objeto escolhido, de forma neutra e tranquila. Manter a mente centrada ajuda a aquietar a mente, reduz as distrações, relaxa o corpo, interrompe o fluxo de pensamentos ruminantes.
Este processo é evolutivo desenvolve a estabilidade da mente, estágios diferentes de atenção, permite o reconhecimento de hábitos mentais e emocionais, levando o praticante avançado a estágios superiores de consciência e, estados duradouros de paz e plenitude, influenciando desta forma no tratamento médico contra as doenças.
TREINAMENTO MENTAL
Todos devem aprender a forma correta de praticar Mindfulness, e os pacientes devem ser acompanhados de um profissional de MBSR que deverá avaliar o progresso e ajustar a técnica de acordo com a necessidade do paciente. Mindfulness é um tipo de treinamento mental, atualmente a Neurociência já comprovou a neuroplasticidade cerebral, ou seja, os neurônios ou células cerebrais são maleáveis, o cérebro tem a capacidade de alterar a sua estrutura e função, e estas são só as mais recentes descobertas, existem muitas outras pesquisas sendo realizada nesta área por nomes importantes como o Dr. Richard Davidson da Universidade de Wisconsin com praticantes avançados de meditação, e em especial de Mindfulness.
Mindfulness fortalece determinadas regiões do cérebro associadas com atenção e com a capacidade de perceber as sensações corporais internas além da flexibilidade mental, sua prática também atenua a atividade da amigdala (área associada ao medo). Praticar Mindfulness diária e disciplinadamente ajuda a diminuir o processo de desatenção que ocorre comumente nas atividades cotidianas habituais.
Mas Mindfulness não beneficia somente o cérebro do praticante mas também regula e controla as emoções proporcionando um equilíbrio nas relações afetivas, isto permite uma maior facilidade na comunicação das relações interpessoais, o que é muito importante para as pessoas que sofrem de câncer que muitas vezes tendem a se isolar no sofrimento e tem dificuldade de exprimir suas emoções e desejos. O treinamento da mente com Mindfulness afeta diretamente os processos neuroendócrinos e imunológicos ligados ao stress., diminui a reatividade do sistema cardiovascular, baixa a produção de hormônios do stress e marcadores  inflamatórios. Quanta coisa boa, não?
Muitos hospitais americanos e europeus já trabalham com programas de Mindfulness, treinando o corpo clinico e psicológico no Programa de oito semanas de Mindfulness que inclui aulas teórico / práticas, incentivando que se tornem praticantes regulares e participe de retiros e salas de discussão para troca de sensações, evolução e aplicabilidade da técnica, integração de Mindfulness na vida cotidiana. É muito importante que os professores se tornem experientes, conhecendo toda a técnica em profundidade, acompanhem os estudos e pesquisas mais recentes e convidem a comunidade, hospitais, clinicas e universidade participarem de forma a oferecer ao paciente salas de meditação devidamente acompanhadas de um profissional experiente. Em determinados casos clínicos, Mindfulness pode ser ensinado ou praticado de forma individual, isto é feito para atender a necessidades especiais do paciente, em alguns casos específicos  ele pode acompanhar gravações de meditação guiada preparada especialmente para ele, sem no entanto deixar de ter um acompanhamento de um professor e de ter o apoio de outros praticantes que é sempre motivador.
A princípio o praticante de Mindfulness enfrenta cinco obstáculos (Desejo, Aversão, Preguiça/Torpor Mental, Inquietação/Remorso, Duvida/Indecisão), quando devidamente acompanhado, o professor aplicará o que os Mestres Budistas chamam de cinco antídotos (Interesse, Bondade e Compaixão, Relaxamento e Calma, Energia e Entusiasmo, Autoconfiança).
MINDFULNESS E OS PACIENTES COM CÂNCER
A meta-análise de mais de 10 grandes estudos encontraram efeitos excelentes para os resultados de saúde mental como: ansiedade, depressão, stress, angústia, além de pequenos efeitos na saúde física como: função imunológica, pressão sanguínea, marcadores tumorais. Um estudo demonstrou menos stress, desesperança e preocupação ansiosa sobre o câncer. Como referencia temos os estudos de Matousek e Dobkin sobre redução de stress, Lengacher e colegas sobre o medo da recorrência e maior energia e funcionamento físico nos praticantes de Mindfulness, Witek – Janusek et al melhorias nas medidas biológicas e maior otimismo em lidar com pacientes com câncer, e muitos outras referências significativas podem ser encontradas e estudadas.
A angustia emocional pode ter um impacto significativo sobre o paciente com câncer, a depressão pode levar ao  declínio no tratamento e aumentar o risco de morte, reduzir o impacto das emoções destrutivas e o stress causado por elas torna-se importante para a eficácia de todo o processo, já que o câncer exige muito do corpo e da mente. Mindfulness ensina o praticante a permanecer focado, a acalmar a mente e a viver mais plenamente o momento presente, gerenciando a qualidade de vida sem criar expectativas.
EXISTEM RISCOS?
Muitos poderiam perguntar se existe algum risco para quem pratica Mindfulness durante o tratamento contra o câncer, mas a prática da meditação é muito segura e tem muito poucos riscos associados.  Como já foi dito acima, o praticante pode enfrentar um ou mais dos obstáculos o que pode levar a um quadro  transitório de ansiedade, até porque estará olhando de forma mais consciente para a qualidade dos pensamentos e sentimentos perturbadores. Praticantes avançados como os monges que ficam horas dias às vezes isolados em meditação também passam pela experiência dos obstáculos, às vezes com riscos ainda maiores. Por isso independente do nível do praticante é muito importante que seja acompanhado de um professor experiente durante todo o período de tratamento, e mesmo os condutores da prática nas salas de meditação também possuam um profissional com quem possam compartilhar sua própria experiência e a de seus pacientes.
Com tudo isso vale o investimento de aprendizagem, pois esta é uma poderosa ferramenta que está sendo utilizada em diversas áreas da medicina e da saúde mental, sua aplicabilidade tem custo baixo e baixo risco mente/corpo para profissionais e pacientes.
REFERENCIAS:
·      Ledesma D K H: Mindfulness based Stress Reduction and Cancer – Meta analisys
·      Shapiro SL, Astin SR et al: Mindfulness Based Stress Reduction for health Care professional
·      Lazar SW, Kerr CE et al: Meditation experience is associated witj increased corticol thickness
·      www.cancernetwork.com
Se desejar participar de um Programa de Mindfulness (MBSR) para pacientes com câncer entre em contato com Sonia A F Santos pelo e-mail: saleela.devi@gmail.com ou saliladeva@yahoo.com.br. Podemos abrir um curso de formação para grupos especiais.






sábado, 15 de agosto de 2015

Transcendendo a Perda

Mindfulness e o Luto
Falar de estar no aqui e agora, no momento presente parece fácil quando tudo está bem, mas quando a pessoa está passando por um profundo sofrimento, a situação é muito diferente. Dizer para alguém que está sofrendo pela perda de alguém muito importante que ela pode mudar sua dor através do poder de seu pensamento damos a impressão que seu sofrimento tem menos valia.
Então será que a prática da Mindfulness (Atenção Plena) pode ser aplicada em casos de sofrimento? A prática da consciência plena trás a atenção para aquilo que é – seja dor ou felicidade, paz ou caos, stress ou relaxamento, doença ou saúde – cada sintoma ou sentimento/emoção surge de acordo com a sua realidade. A prática de Mindfulness é não uma receita de felicidade, tão pouco um remédio que cura tudo, um milagre; a atenção plena não tenta falar com você sobre nada, não há julgamento nem critica sobre o que você sente.
Temos apego a pessoas, não desejamos perdê-las, aceitar o luto como uma emoção natural, significa aceitar a separação é isto é muito difícil.  Tratar a dor da perda de forma eficaz pode dar inicio aos insights.
A tristeza pode manifestar reações físicas, emocionais, cognitivas e até comportamentais. Muitos estudos sobre o luto já demonstraram que ele tem fases. Uma abordagem terapêutica para lidar com a dor do luto é a prática da Mindfulness. Esta poderosa ferramenta tem sido utilizada em várias psicoterapias modernas e diversas áreas da medicina.  Através do trabalho do Psicoterapeuta com a consciência plena da pessoa enlutada esta poderá reconhecer de forma mais efetiva a realidade da perda e assim permitir que a dor da perda possa se manifestar sem complicações. Se a dor da perda for experimentada sem reação indevida, o efeito da dor será enfraquecido e a manifestação do luto poderá ser resolvida e trazendo de volta uma vida saudável e livre dos sofrimentos causados pela dor.
Algumas culturas principalmente as orientais tem um olhar diferente sobre a morte, o Budismo, por exemplo, já ensina aos seus adeptos que tudo é impermanente, a importância de conhecer as fases do Bardo (Intermédio) e a forma mais adequada de percorrer o Bardo, tornam mais fácil a vivência das fases do luto, não que não aja sofrimento, mas existe um outro olhar sobre a morte que ajuda na superação e aceitação. No Ocidente existe um tabu cultural de falar sobre o tema, as pessoas evitam o assunto e não se preparam para este momento. A experiência do luto acontecerá para todos, porque todo mundo cedo ou tarde irá vivenciar a perda de alguém a quem se ama, que é importante, com quem tiveram uma história, uma conexão. A experiência da perda causa uma profunda dor, afinal o apego a quem amamos é natural, e chorar ou lamentar a sua perda faz parte do processo de lidar com o luto.
Se esta dor não for tratada adequadamente ela poderá se tornar até mesmo patológica. Por isso Mindfulness é tão importante no tratamento do sofrimento, Uma prática diária, perseverante, correta permite que a pessoa reconheça a verdade da experiência que está vivendo no momento presente.  E este reconhecimento direto e verdadeiro ajuda a reconhecer a verdade do momento presente em que a pessoa está inserida, mesmo que isto traga a princípio mais dor. Descortinar a verdade trás alívio, transforma, transcende a dor levando a cura. E enxergar a verdade e estar presente com ela é de fato compaixão.
Ou seja, estou aqui na minha dor, onde estou não é o local perfeito para se estar. Pode não ser o melhor lugar, mas a vida é o que é! Com todos os seus percalços e obstáculos. Esta experiência pede minha atenção e consciência agora. Não há como mudar o que aconteceu. Devo aprender a aceitar o presente como ele é. Porque o presente é o agora e eu devo estar focada no agora. A compreensão é – estar consciente do que é real, agora. É uma redenção às condições naturais, que se tornam presentes no corpo e na mente.
Se as fases do luto não forem bem tratadas elas poderão resultar em uma disfunção crônica, confusão, depressão ou uma infelicidade generalizada. Surgem muitas outras complicações com o tempo. A dor pode trazer muitas reações, algumas pessoas não demonstram tristeza, culpa, raiva, choque, ou sensações, outras pessoas apresentam sintomas físicos como angústia ou dor no peito, nó na garganta, dor de estômago, ou distúrbios comportamentais como insônia, agressividade, problemas de memórias, inquietação e muito mais.
Para quem vivencia a experiência da perda ou luto de forma natural, ter um acompanhamento psicoterapêutico pode ajudar a enfrentar a situação de forma mais saudável sem sequelas. Para as pessoas cujo processo de luto é extremamente doloroso (muitas vezes o sofrimento é tão extenso que poderá levar anos ou durar indefinidamente), para estes casos existe a Terapia do Luto. Em alguns países, como a Inglaterra existe também o terapeuta da morte, que ajuda não só a pessoa que está morrendo no processo da morte como a família a lidar com a dor do luto; ou seja, ambas as técnicas ajudam na aceitação da realidade da morte.
Budha afirmou (Nyanaponika, 1962) que somente existe uma forma de se lidar com a dor – a Consciência Plena. O Psicoterapeuta que trabalha com Mindfulness conhece os quatro fundamentos da atenção plena: corporais, sentimentais, estados mentais e objetos mentais (Nyanaponika, 1962). Através destes fundamentos, ele vai ajudar o paciente a perceber com clareza e forcar atenção objetivamente no surgimento e no desaparecimento de todas as sensações da mente e do corpo. Eventualmente durante a prática de Mindfulness podem surgir insights sobre a natureza transitória e insubstancial, insights sobre a natureza da realidade e seus processos de transformação.
Exercícios de Mindfulness para o corpo permite que a pessoa enlutada torne-se consciente das posturas, sensações somáticas e a respiração. Os exercícios para Mindfulness das emoções/sentimentos incluem estar atento aos desconfortos ou prazeres emocionais, ou aos estados neutros da mente, para os “estados de espírito”, distração, raiva, culpa etc., buscando estar atento às qualidades dos pensamentos e de como eles condicionam os processos mentais e físicos. Mindfulness permite então que olhemos de forma íntegra para o que surge e como surge. Perceber e reconhecer a realidade de qualquer situação que acontece no momento presente, os benefícios são múltiplos.
Ninguém sente de forma igual experiências semelhantes, por isto que cada um manifesta física e psicologicamente a dor da perda, algumas pessoas resolvem internamente muito rápido dando sequencia à vida diária, e isto não significa que não aceitou ou que está escondendo a dor. Se ela tiver um nível de consciência para lidar com a tristeza, ela poderá transformá-la em um ferramenta para alavancar uma maior compreensão sobre a morte e o luto e ter insights sobre a verdade da impermanência da vida, sem nenhuma conotação religiosa para isto – a morte poderia até ser uma iniciação a uma nova fase. A forma com que cada pessoa lida com a intensidade da angústia (física ou emocional), pode determinar a intensidade da dor que irá experimentar, alguns podem até acionar emoções profundas e diferentes ao mesmo tempo como sofrimento e amor simultaneamente.
É sempre incentivado que o cliente que está passando por um processo terapêutico com Mindfulness, pratique diariamente os exercícios e técnicas de meditação, de forma disciplinada, além do acompanhamento normal do terapeuta,. Porém algumas pessoas são muito introspectivas, solitárias e sensíveis ao sofrimento do luto, para elas praticar sozinha pode acentuar o processo do luto e este se tornar esmagador, manifestando complicações. Outras técnicas podem então servir de apoio como a Terapia Focada na Compaixão e Meditação Metta Bhavana (Loving Kindness), onde a autocompaixão, o discernimento e uma reflexão sobre o luto podem ajudar no desenvolvimento da consciência plena.
Referências:
·      Davidson, GC e Neale, JM, Abnormal Psychology, John Wiley and Sons 1982;
·      Nyanaponika Thera, The Heart of Buddhist Meditation, Rider Na Company 1962
·      Worden, WJ, Grief Couseling and Grief Therapy – Tavistock publications, 1983
Quer aprender Mindfulness? Envie um e-mail para Sonia A F Santos  (Saleela Devi) – saleela.devi@gmail.com ou saliladeva@yahoo.com.br, ou agendar uma consulta para Mindfulness Therapy.

Avisaremos de nossa programação. O Curso Intensivo ou o Programa de 8 semanas podem ser oferecidos em qualquer espaço ou cidade. Estamos abrindo novas parcerias. Informe-se, ou um forme um grupo.


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Mindfulness e a Gravidez

Mindfulness e a Gravidez


Já sabemos a muito tempo que a prática diária e disciplinada da Mindfulness diminui e até cura a depressão e a ansiedade, além de contribuir para a regulação emocional e assim controlar o stress. Podendo inclusive ajudar as mulheres e suas famílias durante a gravidez.
Na Universidade de Osher da Califórnia, na escola de medicina Nancy Bardake desenvolveu Mindfulness Based Childbirth and Parenting Program, excelente ferramenta para quem trabalha com parto humanizado, enfermeiras e outros profissionais ligados ao parto. Seu trabalho baseia-se em pesquisas inovadoras em neurociência, Mindfulness e a medicina mente/corpo. O programa inclui práticas que ajudarão o praticante a encontrar a calma e facilidade durante esta fase em que a vida muda em vários aspectos, desta forma ele proporciona habilidades e competências para serem usadas ao longo da vida de forma saudável e ligação familiar mais sábia. Alguns benefícios, por exemplo:
·      Aumenta a confiança e diminui o medo do parto;
·      Proporciona mais habilidades para usar recursos internos na hora da dor;
·      Melhora a comunicação entre o casal;
·      Reduz o stress, a depressão pós-parto, melhora a autoestima e o bem-estar;
Quem pratica regularmente Yoga e Meditação durante a gravidez vai sentir durante este momento tão especial:
1.    Lentidão – O mestre Thich Nhat Hanh nos ensina – sorria, respire e vá devagar! – Durante a gravidez aprendemos a dar tempo ao tempo, evitar excessos de atividades e a dar um tempo maior para os próprios cuidados;
2.    Adequar o tempo – Afinal não temos controle sobre tudo, é preciso aprender a fazer escolhas conscientes, como ensina a própria Nancy Bardake – O parto não responde aos relógios que funcionam tanto em nossas vidas. É há uma lição para todos nós – comece respeitando seus momentos, mantenha-se presente para o bebê  durante toda a gravidez até o momento do parto. Surgirão muitas mudanças, algumas desejáveis e outras nem tanto, ajuste qualquer coisa que esteja sentindo. Respire. Pare. Deixe ir o que não é seu!
3.    Qualidade do Sono – Práticas de meditação e a Mindfulness em especial ajuda a melhorar a qualidade do sono. Lembrando que tudo muda depois que o bebê nascer. Fazer exercícios como o Body Scan ajuda no relaxamento, que é excelente para que a gravida conheça seu corpo e todas as mudanças e sintomas que estão acontecendo. E também aprender a respirar corretamente. Nada mais importante que conhecer seu próprio corpo e seus processos.
4.   Adapte-se ao bebê – Se a mulher gravida praticar Yoga e meditação (Mindfulness) durante toda a gravidez ficará mais fácil aproveitar os intervalos de sono do bebê para meditar por ao menos 10 minutos, segurando o bebê, ou durante a amamentação. Aproveitando também os asanas que aprendeu para alongar-se antes da meditação. Isto proporcionará uma maior energia e de qualidade, e paciência na hora de cuidar do bebê de forma mais consciente e alegre.
Quer saber mais sobre MIndfulness? Escreva para saleela.devi@gmail.com – Sonia A F Santos (Saleela Devi)

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Mindfulness e Psicoterapia

Sendo o que se é! – Mindfulness para Profissionais da Saúde, Coachings e Couselings


O campo de pesquisa sobre Mindfulness e suas aplicações terapêuticas não para de crescer. Assim Mindfulness se torna cada vez mais uma ferramenta poderosa e relevante para os profissionais da Saúde incluindo aqui Psicólogos e Terapeutas e também para Coachings e Cousellers.

À princípio Mindfulness foi muito aplicada na redução do stress e da depressão, mas a sua aplicação terapêutica tem se desenvolvido para além do Programa de 8 semanas e práticas em grupo atingindo as terapias individuais. São muitas as técnicas terapêuticas individuais que podem se aliar à Mindfulness no set psicoterapêutico.

Desenvolver a consciência de si e dos outros passa pelo processo de desenvolver uma qualidade de atenção, principalmente o nível de atenção plena que a Mindfulness proporciona e que muitas pesquisas científicas têm comprovado em eficácia ao longo de mais de 30 anos de pesquisas que culminam atualmente com descobertas sobre a importância de Mindfulness na Neuroplasticidade e outras mudanças importantes a nível fisiológico, o que nos permite perguntar aonde estas explorações irão nos levar?

A atenção plena está conectada com nossas atitudes e posturas, nosso modo de ser, esta pode ser uma das razões porque Mindfulness é tão eficaz terapeuticamente falando. O processo de Mindfulness junto com técnicas psicoterapêuticas permite que o indivíduo torne – se consciente de tudo o que está acontecendo no momento presente, conheça a natureza real dos fatos longe de seus pensamentos ruminantes e fantasias. Os praticantes disciplinados e devidamente acompanhados tornam – se hábeis em perceber seus padrões condicionados, desenvolvem uma percepção maior sobre as suas escolhas e tem uma aceitação melhor sobre como as coisas realmente são, conseguem manter um nível de relaxamento diante do caos de forma nunca antes experimentada. Melhoram ainda mais quando conseguem além da prática formal (na forma de meditação passiva) quanto na informal (uso da atenção plena durante as atividades habituais cotidianas). Deixam de viver segundo o condicionamento do piloto automático para uma forma de vida mais espontânea e livre do stress e das tensões que levam ao desenvolvimento de inúmeras doenças. No final o que mais se aprende é o conhecimento de si – mesmo criando uma intimidade com seus aspectos interiores.

É neste ponto que nasce dentro do praticante uma maior empatia e autocompaixão assim como mais compaixão e altruísmo para com os outros; já que o indivíduo ter uma consideração positiva por si – mesmo, de assumir seu estado de plenitude sendo quem realmente é sem as imposições dos padrões internos de medos e angustias mantendo-se atento ao que acontece no momento presente.

As Sete Atitudes

A prática disciplinada e diária da Mindfulness desenvolve sete atitudes segundo Jon Kabat Zinn, sete qualidades que sustentam a prática e geram consequências positivas:

1.    Não Julgamento – Uma maior abertura do fluxo interior da nossa consciência em relação às experiências exteriores parou de julgar e reagir automaticamente. Aprendemos o tempo de recuar e o tempo de avançar – nos tornamos uma testemunha imparcial das experiências;
2.    Paciência – Compreendemos que as coisas têm seu próprio tempo;
3.    Mente de Iniciante – Aumento da curiosidade. Surge um frescor, uma maior clareza e vitalidade diante das experiências do momento presente, aprendendo a olhar além dos preconceitos e padrões históricos pessoais.
4.    Confiança - O aumento da confiança vem pelos controles dos pensamentos e sentimentos. Mindfulness desenvolve um sentimento de testemunha, uma qualidade de observador das próprias experiências, e motiva a busca pela validade dos acontecimentos;
5.    Sem Esforço – O praticante de Mindfulness aprende a deixar as coisas serem do jeito que é. Tornando a meta da vida a aprendizagem de ser como se é!
6.    Cessação – Desenvolvimento da capacidade de reconhecer a origem e o fim de cada experiência, analisando e dando ênfase ao que realmente se faz necessário, deixando de agarrar o que agrada, de rejeitar o que desagrada, além de deixar de perpetuar as dificuldades.
7.    Aceitação – O praticante desenvolve uma abertura e vontade de ver as coisas como elas realmente são, no presente, aprendendo a agir de forma adequada momento a momento.

Além destas qualidades e novas capacidade, surge também uma maior energia e motivação com o compromisso, autodisciplina e intenção, que trás junto a perseverança e determinação para continuar investigando com mais profundidade e sem medos a sua própria historia e experiências pessoais.

O que o Terapeuta ganha com isso? Uma oportunidade de aplicar uma nova atitude profissional no processo terapêutico, trabalhando com o desenvolvimento da consciência do cliente, indo direto na experiência e não ficar a nível de pensamentos sobre a experiência. Usa um processo de investigação com foco particular na experimentar as sensações dentro do corpo, ir de forma mais profunda nos significados dos sintomas que se manifestam no corpo.

A prática disciplinada e diária de Mindfulness formal desenvolve a capacidade de aprender a “ler o clima interno” do próprio ser, e depois a relação com o outro. O terapeuta se torna consciente da forma como o cliente processa as experiências e oferece a ele uma maneira diferente de agir no momento presente longe dos comportamentos habituais, uma qualidade de presença “encarnada” no momento da experiência. Ao fazer isto surge a possibilidade de observar mais de perto o que está em processo de mudança emocional dentro do corpo e como isto responde ao ambiente e ao outro. Manter uma qualidade de presença incondicional, com bondade amorosa (Compaixão), sem julgamento para consigo mesmo e para com o outro é um estado cultivado pelos praticantes de Mindfulness, que tem motivado inúmeros estudos e novos processos terapêuticos como a Terapia Focada na Compaixão.

Mindfulness e a Aceitação

A prática de Mindfulness desenvolve uma abertura para a aceitação das coisas como elas realmente são, com todas as dores e alegrias que vêm junto com cada experiência. Aprendemos a manipular e julgar, a analisar e resolver os problemas de acordo com a nossa história pessoal, a busca para mudar este processo passa pelo desafio da mudança e pelo alívio do fardo estressante que este processo nos impõe.
Abrir espaço para a autocompaixão, é descobrir um potencial novo para fazer as coisas de forma diferente, mais consciente. Isto significa dar maior valor a necessidade de aprender a explorar as sensações físicas, os pensamentos e as emoções que experimentamos diante de cada momento. É estar aberto e receptivo a uma nova maneira de “ser” diante do campo de infinitas possibilidades que emergem quando estamos receptivos e atentos. É aqui que uma maior possibilita de cura se apresenta, também é aqui que aprendemos a ser mais resilientes.

Terapeutas que também são praticantes de Mindfulness aprendem a “estar junto” com o seu cliente quando ele expressa a tristeza e a dor. A qualidade da atenção plena  necessária dentro do set psicoterapêutico cresce de acordo com as formas com que respondemos e trabalhamos com todo o material que o cliente trás consigo, o processo terapêutico torna-se então poderoso e transformador, com uma qualidade de presença incondicional, uma escuta mais profunda e alerta, melhorando as trocas e a resolução das dificuldades.

Mindfulness pode trazer inúmeros benefícios, e em diferentes níveis. Como seres humanos somos vulneráveis, estamos sempre lutando com a nossa realidade, preocupados com o futuro e conectados com um passado que não existe mais, gastamos tempo, energia e esforço com tantos acontecimentos da vida diária que a tão sonhada felicidade passa ao largo sem que muitas vezes nem seja percebida. Se não tivermos um nível de atenção plena que nos permita perceber com clareza que forças subjacentes nos impulsionam em diferentes direções, muitas inúteis; não sairemos deste círculo vicioso de viver os mesmos desafios em diferentes proporções e momentos.


Por isto é tão relevante que aja um senso de comunhão das experiências entre terapeuta e cliente. Logico que o contexto e os detalhes das experiências são diferentes, afinal todos temos uma mente e uma consciência, todos sofremos. Isto nos ajuda a desenvolver uma perspectiva de estar no papel de ajudar, de sermos mais compassivos e altruístas.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Terapia de Resgate Emocional

Terapia Resgate do Seu Poder Pessoal

A Terapia de Resgate Emocional é uma terapia de ascensão baseada nas energias que estão disponíveis no planeta. Ela atua principalmente mudando a vibração energética ativando padrões positivos de paz, harmonia, alegria e amor incondicional. Dela participam Seres de Luz e muitos Mestres e Arcanjos, além de esquipes de cura. É um profundo trabalho de Compaixão e Altruísmo dos Seres de Luz para com as pessoas que procuram o tratamento.

A Terapia Resgate Emocional consiste em uma terapia energética que permite:

·           Cura de situações e bloqueios emocionais e dos relacionamentos;
·           Limpeza das emoções de baixa frequência energética ou das emoções destrutivas;
·           Ajuda a superar perdas e lutos;
·           A lidar com problemas profissionais;
·           A aumentar o nível de autoconfiança e auto estima em situações especificas;
·           Trabalha nos comportamentos obsessivos e compulsivos;
·           Cura de Bloqueios;
·           Resgate de Alma;
·           Resgate da Criança Interior;
·           Rescisão de votos e contratos de pobreza e encaminhamento de energias nefastas.

É uma extraordinária e poderosa ferramenta que contribui para o processo de ascensão e usa o Cakra Anahata (cardíaco) como portal muldimensional através do qual acessamos as outras dimensões existentes.  O seu campo de ação está em todos os assuntos de foro psíquico e espiritual indo da criança interior aos aspectos sombrios. Todo o trabalho é conduzido pelos Seres de Luz, respeitando sempre a Lei do Livre Arbítrio, os méritos de cada ser e sua capacidade de aprendizado espiritual no plano material atual, o terapeuta torna-se apenas um canal intermediário entre o paciente e os Seres de Luz.

Não há toque físico, entre o Terapeuta e o paciente. Ambos entram em sintonia através de exercícios de respiração e meditação a fim  de atingirem uma dimensão comum de comunicação espiritual. Sendo o canal de comunicação o Cakra Anahata. É preciso que o paciente siga as orientações do Terapeuta, as técnicas de meditação e respiração que lhe forem indicadas, e que o paciente abra a sua mente para a necessidade que se expressar como chorar, liberar toda a negatividade de forma a poder começar a trilhar sua jornada de forma mais leve.

O Resgate de Alma

Durante o processo de terapia podem surgir momentos em que o terapeuta se apercebe (ou é informado pelos Seres de Luz) que uma parte da alma não está no corpo da pessoa e os principais sintomas são:

·           A pessoa não consegue manifestar facilmente os seus projetos de vida;
·           Não se sente na própria pele;
·           Sente que não vive a própria vida;
·           Sente que a vida não faz sentido.

Causas:

·           Choque emocional muito forte;
·           Traição Grave,
·           Separações, perdas ou luto;
·           Acidentes graves;
·           Abortos traumáticos;
·           Traumas
·           Assaltos violentos;
·           Agressões;
·           Vitimas de atos perversos;
·           Vitima de feitiçaria ou outros malefícios.

Resgate da Criança Interior

A criança interior consiste em um arquétipo que todos os seres humanos contêm. As crianças têm determinadas características como a espontaneidade e a capacidade de rir e brincar.
Porém, quando passamos por situações traumáticas ou de muito sofrimento na infância, a tendência é a de enclausurarmos a nossa criança interior, retirando-lhe a atenção, ignorando-a numa tentativa de nos protegermos e, como não podemos matá-la já que ela é parte de nossa psique nós a ignoramos.

Mas a criança interior continua a residir em nós, a formar parte de quem nós somos a reclamar de atenção e carinho. E enquanto não lhe dermos a atenção que ela solicita, ela não pode se exteriorizar, manifestar a prosperidade e abundância que vem através dela. Nos tornamos adultos sempre magoados e ressentidos, às vezes sem sabermos nem porque, ficamos incapazes de perdoar, a vida não flui com graça e leveza, nos tornamos pessoas contraídas física e emocionalmente e sem criatividade e alegria.

Podemos até atingir um sucesso financeiro e profissional, mas a sensação de incompletude e insatisfação nos acompanha. É preciso resgatar a criança, acolhê-la e ouvi-la.

Pois desta forma ela trará entre outras coisas – alegria de viver, criatividade, satisfação, facilidade em rir da vida, brincar, viver o momento presente – e tudo isto são sensações e experiências importantes demais para serem ignoradas se desejamos nos desenvolver e crescer.

A Espiritualidade ensinar que se não amamos a criança interior que habita em nós não nos tornaremos adultos verdadeiramente sábios e maduros.

Se a pessoa sofre um trauma ou uma grande decepção na vida, a criança interior pode ir embora ou pode se raptada por seres espirituais. É parte de a Terapia Multidimensional resgatá-la e reintegrá-la ao corpo do paciente. Quando ela retorna trás consigo as suas qualidades que passam a vibrar na vida da pessoa novamente.

O atendimento da Terapia Resgate Emocional pode ser feito Presencial ou On Line. Para saber mais entre em contato com Sonia A F Santos (Saleela Devi) pelo e-mail: saleela.devi@gmail.com