sábado, 20 de junho de 2015

Afinal, devemos ter Apego ou Desapego?

Apenas uma discussão – porque afinal ninguém quer sofrer, e a busca pelo bem-estar, a tão procurada qualidade de vida e a felicidade devem ser trilhadas em estradas seguras.

Todos nós queremos o bem-estar, uma vida sem mentiras nem sofrimentos. Porém o apego para a Psicologia Budista é um veneno, de acordo com os ensinamentos budistas todo o sofrimento vem do apego que desenvolvemos pelas coisas, pessoas, conhecimentos, crenças, etc.. Nossa experiência de vida é profundamente afetada nos primeiros anos de vida, por mais amados que tenhamos sido pelos nossos pais e por quem mais tenha cuidado de nós. O apego que desenvolvemos por quem cuida de nós afeta nos relacionamentos ao longo de nossas vidas, seja de forma positiva ou negativa. Até mesmo o apego ao prazer ou ao bem-estar pode provocar sofrimento. E a fim de acabar com o sofrimento somos ensinados a nos desapegar.

Para quem estuda a Psicologia Budista e todo o conjunto de ensinamentos, fica contraditório aplicar a teoria do desapego, principalmente quando estamos diante de relacionamentos tão complexos como os dos pais e filhos. Principalmente quando pensamos em parentalidade consciente.

Gostaria de alguma forma relacionar a Teoria do Apego e a Psicologia Budista ou Contemplativa, para verificar se realmente existe alguma contradição entre estas abordagens, já que todos os caminhos para a felicidade são consistentes.

Estudo o desenvolvimento e a expansão da consciência a muitos anos, principalmente a importância de liderarmos conscientemente as nossas vidas em todos os seus aspectos. Pessoalmente acredito que a mudança do mundo começa com a mudança interna. E este estudo levou a buscar no Oriente, com especial atenção aos ensinamentos do Vedanta e posteriormente dos budistas, e por ultima da Psicologia Integral para dar consistência e clareza às minhas pesquisas. A prática da meditação ajudou no processo, e com o tempo revelou-se para mim, como já tinha acontecido claro com inúmeros grandes nomes da área de fundamental importância.

A Teoria do Apego 

Ela foi iniciada por John Bowlby e Mary Ainsworth – e diz respeito à qualidade da relação que existe entre o pai/cuidador e a criança; está conectada com o desejo inato de estabelecer um laço afetivo. A criança não consegue viver por conta própria, precisa de cuidados especiais desde o nascer para crescer de forma saudável e íntegra, assim ela se apega àqueles que dela cuidam. Mas sabemos que crianças que vem em instituições de péssima qualidade, por exemplo, podem não desenvolver nenhum apego, principalmente quando se sentem isoladas. E isto terá reflexos negativos na formação de sua personalidade, um teste chamado de Strange Situation feito em laboratório pode identificar o padrão de apego em crianças a partir de um ano de idade. O apego pode ser dividido em dois padrões de fixação: Organizado e o Desorganizado.

O apego organizado, pode ser ainda classificado de seguro ou inseguro. Como exemplo de Apego Seguro temo o da criança que chora quando o pai/cuidador se afasta dela, um cuidador que desempenha o seu papel de forma adequada, suprindo todas as necessidades da criança. Este tipo de apego ainda é subdividido em: esquivo e ambivalente. O Apego evitativo é aquele  é aquela que ignora quando o cuidador se afasta. Uma criança com apego ambivalente é mais “grudenta, pegajosa”, tem certa raiva do cuidador/pai.

O Apego Desorganizado é aquele que surge fruto de ameaças ou abusos do cuidador/pai, a criança desenvolve o medo. As crianças com apego desorganizado desenvolvem um estado de confusão, porque o cuidador ao mesmo tempo é fonte de ameaças, conforto e cuidados essenciais. Assim ela costuma ter comportamentos contraditórios, tais como o congelamento, incapacidade de julgar ou de fugir.

O AAI (Adult Attachment) consegue identificar o tipo de padrão de apego em um adulto  que corresponde ao padrão de apego infantil.

As pessoas com apego seguro são mais resiliente quando ocorre situações de luto, lidam melhor com a dor da solidão. Já as que têm o padrão de apego inseguro tem maior dificuldade em lidar com a dor. Aquelas com padrão ambivalente costumam ser excessivamente emocionais, e as com apego evitativo ignoram as suas emoções além do limite razoável.

A Teoria do Apego foi resumida a ponto de apenas compreendermos que o apego seguro é o padrão desejável para adultos e crianças. Formas  de comportamentos parentais que levem ao desenvolvimento do Apego organizado (Seguro, Evitativo ou Ambivalente) são aqueles considerados “suficientemente bom” segundo George e Salomão (1999).

A Psicologia Budista

Na Psicologia Budista assim como em todos os Sutras, traduzidos da língua Pali, a palavra Dukka, quer dizer sofrimento, e tem um sentido muito amplo indo da dor física, tristeza, pobreza etc, portanto todo e qualquer sofrimento associados à matéria, emoções/sensações, relacionamentos etc. E a busca do Budismo é pelo fim do sofrimento, e faz uma sutil distinção entre desejo e apego. O sofrimento surge quando dedico especial ou excessiva atenção ao objeto do desejo, e apego é quando não permito que o objeto do desejo se vá. Então para a Psicologia Budista o desejo causa o apego. O desejo é um fator condicionado à mente, funciona de forma automática e por isto é explicado como a fonte do sofrimento. Os ensinamentos budistas nos ensinam que podemos acabar com o sofrimento, desaparecendo com o desejo, e quando isto ocorre passamos para um estado mental denominado de Iluminação. Para que isto ocorra é fundamental a observância dos conselhos, atividades diárias e a prática da meditação.

A questão não está na proibição de termos desejos, mas na ânsia que ele causa que nos faz sofrer. Assim o mais saudável é a repressão dos desejos.  E isto vale para todos os seres humanos, budistas e não budistas. Porque sabemos que por trás do desejo estão sentimentos de ganância e obsessão e todas as outras formas de posse. Os ensinamentos não são funcionais e adequados somente para quem prática a filosofia budistas, ela é funcional para todos os seres que querem desenvolver e expandir a consciência. E as práticas meditativas como as práticas silenciosas, sentadas como a Shamatha (Mindfulness), ou Zen, a Vipassyana nada possuem de religiosas e podem ser praticadas por qualquer pessoa, de todas as idades.

Estudos e pesquisas científicas protocoladas em grandes centros de pesquisas demostraram que a meditação funciona como uma terapia complementar, e por isto tem sido adotada por médicos, psicólogos, psiquiatras, educadores e até mesmo grandes corporações como a Google, Apple, Deustch Bank entre outras tem incentivado a prática diária das técnicas com efeitos positivos.

A Filosofia e a Psicologia Budista trabalham especialmente com técnicas que desenvolvem a bondade (Metta) e a compaixão (Karuna). O uso do termo desapego é muito mal compreendido por leigos quando se referem à Psicologia Budista. Aqui a Bondade Amorosa (Metta Bhavana) é considerada como o amor incondicional, e este por sua vez não é baseado no amor que leva ao prazer sensual, mas uma qualidade de amor desprovido de todos os comportamentos condicionados e estados mentais que incluem até mesmo o controle através de castigos e recompensas. Estudiosos como Jon Kabat Zinn (1997), Napthali (2003) e Matthieu Ricard (2015) apontam nesta mesma direção.

A palavra – Apego – na Psicologia Budista está baseada nos ensinamentos budistas, e é associada à ideia do desejo com qualquer coisa (material, emocional ou mental). Então neste sentido o – não-apego -  significa a ausência do desejo, que é um estado desejável (Vogel 2008), e isto não significa que não existe amor. Para Haidt (2006) que discute a Teoria do Apego e o Budismo, cortar todos os tipos de apegos é um erro, ele escreve “apegos trazem dor, mas também trazem grandes alegrias”.  Certamente que seria um erro cortar as relações e o amor, a proposta de cortar todo o desejo é completamente diferente. Devemos manter em mente que o desejo trás dor e é o amor que trás alegrias. E é neste aspecto que a Teoria do Apego e a Psicologia Budista são consistentes.

Teoria do Apego e o Budismo

Para aqueles que já conhecem um pouquinho sobre o Budismo e a Psicologia por trás de seus ensinamentos, podemos considerar o Apego Seguro como o Caminho do Meio ensinado por Budha em suas Quatro Nobres Verdades. O Caminho do Meio significa antes de mais nada o ato de evitar os extremos tanto de indulgência sensual até a auto mortificação. Para mim é muito mais do que isto, afinal o próprio Budha ensina que nem um dos aspectos dos extremos é bons. Considerando desta forma o não desejo ou não apego podem ser vistos como o Caminho do Meio  entre os extremos, a ânsia excessiva/apego e a supressão dos desejos (Yong via Dilon, 2008). As pessoas com padrão de apego evitativo tendem a minimizar a reação emocional ao sofrimento, aquelas que são ambivalentes tendem a maximizar. Entre estes extremos estão as pessoas com padrão de apego seguro que tendem a responder de forma bastante natural e de forma adequada para a desregulação emocional, sem exagero.

Outra consideração dos ensinamentos budista muito importante é a – Impermanência (Anicca), ou seja, o conceito de que nada, absolutamente nada é permanente. As pessoas com padrão seguro parecem encarnar muito bem este princípio, parecem mesmo saber que nada é realmente seguro. Elas sabem lidar com seus relacionamentos de forma mais natural do que aqueles com padrão inseguro. Pois olham os diferentes aspectos da vida de forma objetiva. Já as pessoas com padrão ambivalente parecem tomar posse das pessoas ou coisas como se tudo estivesse disponível permanentemente. Aquelas com padrão evitativo procuram suprimir o seu desejo pelas pessoas ou coisas como se elas fossem permanentemente indisponíveis. Podemos refletir sobre a citação de Goldstein e Kornfield (1987) sobre a Teoria do Apego:

“As coisas são inseguras e insatisfatórias no sentido de que algo está sempre mudando é incapaz de dar-nos uma sensação duradoura de conclusão ou realização. Quando vemos isso profundamente em nós mesmos, mas também começa a descondicionar as forças fortes do desejo e apego na mente. Nós começamos a deixar ir, permitindo o fluxo inevitável da mudança, em vez de tentar agarrar a alguma coisa pensando que ela vai nos fazer felizes para sempre depois”.

Para Shaver (2006) a “Teoria do Apego ajuda a explicar porque as pessoas inseguras são menos compassivas e gentis do que as pessoas seguras: Oferecer um cuidado é um sistema comportamental inato, que é prejudicado pela insegurança do apego”. Em certo sentido, as pessoas com apego inseguro estão mais preocupadas consigo mesmas (Gillath e Shaver 2005).

Estamos vivendo tempos em que cada indivíduo se auto valoriza, a noção de não – eu parece chocante e estranha.  Porém para a Psicologia Budista, o não – eu é tão importante quanto o sofrimento e a impermanência. O Budismo não nega a autoconsciência, mas ao contrário postula que não existe uma entidade contínua, permanentemente associada a cada indivíduo.  Muitas pesquisas e estudos científicos mostram que a posição budista não é muito diferente dos desenvolvimentos recentes da ciência. Alguns pesquisadores sobre a Teoria do Apego argumentam que o ser contínuo é uma ilusão do “eu”, é uma coleção de atitudes, expectativas, significados e sentimentos (Siegel, 1999).

Todas as estradas para o bem-estar devem ser consistentes

Devemos considerar esta reflexão de forma bem ampla, incluindo os aspectos físicos, psicológicos, sociais e muitos outros. Uma felicidade obtida à custa de outra pessoa está muito longe de ser verdadeira. Também devemos considerar que existem diferentes abordagens com bem-estar. Mas todas elas devem ser coerentes, mesmo que mudem os ambientes, lugares ou tempos.  Por exemplo: algumas pessoas têm mais sensações de bem-estar com posturas invertidas no Yoga, enquanto que outras não.
Devemos então manter as nossas mentes bem abertas para o que significa bem-estar. A Psicologia Budista, assim como a sua Filosofia e Religião são notórios sobre a importância da abertura espiritual. SS Dalai Lama (2005) afirma: “se a análise científica fosse conclusiva para demonstrar determinadas alegações que o Budismo  são falsas, então devemos aceitar as descobertas da ciência e abandonar essas alegações”. Ele tem sido muito reconhecido pelo seu esforço em acolher e/ou assistir a conferências que integram o Budismo e a ciência. O próprio Budha repetidamente instava seus seguidores a experimentar e verificar as suas palavras por si-mesmos. Isso demonstra a confiança que os ensinamentos budistas nos passam.

Concluindo

O Apego Seguro é um estado desejável e de maior relevância que o não-apego, e o não desejo instado pelo Budismo (com significado mais preciso do que não – apego) apontam na mesma direção e sem nenhuma contradição. O apego seguro pode ser observado em outras noções dos ensinamentos budistas como: caminho do meio, impermanência e não-eu. O que leva à hipótese de que todos os caminhos para o bem-estar são consistentes.  Mas para que isto ocorra é muito importante nos mantermos com a mente aberta a novas reflexões e propostas, ou seja, exclusivismo não leva ao bem-estar. E por ultimo, que a prática diária e disciplinada da meditação pode e deve ser aplicada para o auto aperfeiçoamento, inclusive nos casos de apego inseguro e nos casos de pensamentos condicionados.

Nobo Komagata (Set/2009)

REFERÊNCIAS:
·  Copeland, Liz 2007 Budhist Parenting;
·  Goldstein, Joseph and Kornfield Seeking the heart of wisdom: The Path os Insight Meditation; (1987)
·  Kabat Zinn, Myla, (1997) Everyday Blessings: The Inner Work of Mindfulness Pareting;

·   Komagata, Nobo e Komagata Sachiko (2008) Unconditional Pareting and Secure Attachment. http://nobo.komagata.net/pub/Komagata09-Xtachment.html


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terça-feira, 16 de junho de 2015

Insônia


A Insônia é uma desordem do sono, entre as suas características estão ou a dificuldade de relaxar e adormecer e/ou dormir a noite inteira. Podemos listar alguns sintomas:
·         Dificuldade em relaxar;
·         Dificuldade em adormecer;
·         Dormir sem regularidade, acordando diversas vezes durante a noite;
·         Acordar muito cedo se sentindo cansado;
·         Estado de Sonolência durante o dia;
·         Irritabilidade, ansiedade, depressão;
·         Falta de foco, concentração, memória;
·         Dores crônicas como enxaqueca;
·         Problemas cardiorrespiratórios;
·         Problemas gastrointestinais;
·         Preocupações contínuas e/ou pensamentos ruminantes.

Tipos de Insônia

São considerados dois tipos de Insônia:

·         Primária – A falta de sono não é decorrente ou associado a algum problema de saúde;
·         Secundária – Significa que a falta de sono ou dificuldade em dormir pode estar associado à outra causa como, por exemplo: asma, bronquite, sinusite, câncer, depressão, etc., dores; uso de medicação ou substâncias ilícitas.
O tempo também pode variar de pessoa para pessoa, assim como a sua durabilidade, pode ser de curto prazo – Insônia Aguda – que pode durar uma noite ou ficar por semanas. Ou pode durar por mais tempo – Insônia Crônica – três a quatro noites por semana durante um mês ou mais.

Possíveis causas:
Insônia Aguda

·         Stress diário;
·         Doença;
·         Desconforto Emocional, Mental ou Físico;
·         Fatores ambientais: ruído, claridade excessiva, mudanças de temperatura, que interferem no processo do sono;
·         Uso de determinados medicamentos para tratamento de Gripes, Resfriados, Depressão, Problemas com pressão arterial, Asma por exemplo.
·         Interferências constantes como troca de turno.
·         Falta de regularidade nos horários.
·         Alimentação inadequada, pesada ou gordurosa.

Insônia Crônica

·      Depressão e/ou Ansiedade;
·      Stress crônico;
·      Dores Crônicas
Independente do tipo é importante a procura de um especialista que além dos exames físicos, análise do histórico médico deve analisar o histórico do sono. Ter um diário onde se controla a qualidade do sono, interferências durante a noite e a vida cotidiana que possam dificultar a qualidade do sono. Podem ser necessários exames mais específicos.

Tratamentos

A Insônia Aguda pode não precisar de tratamento específico, mudanças de hábitos durante o dia e também na hora de dormir podem ter profundos efeitos benéficos. Medicamentos específicos para dormir neste tipo devem ter tempo limitado, drogas de ação curta e que não tenham como efeitos a sonolência durante o dia, porém se deve lembrar que muitas têm efeitos colaterais indesejáveis e tendem a perder a eficácia ao longo do tempo.

Para a Insônia Crônica inclui o tratamento das condições subjacentes que estão causando a insônia.  E neste tipo a Psicoterapia deve ser levada em consideração como aliada ao tratamento clínico. Técnicas de Meditação como a Mindfulness tem sido muito pesquisada, e a muito tempo deixou de ser uma prática mística, para se tornar uma terapia complementar muito respeitado pelos seus múltiplos benefícios físicos mentais e emocionais. Exercícios respiratórios como os Pranayamas do Yoga, também surtem excelentes efeitos, além da terapia de restrição do sono ou exercícios físicos como caminhadas podem ser uteis.

Para combater a Insonia:

Uma mudança radical de hábitos nocivos deve ser considerada para uma boa noite de sono, seguem algumas dicas:
·      Tentar tem um horário regular para dormir, assim como para levantar-se todas as manhãs. Tentar também não dormir durante o dia, nem mesmo pequenos cochilos.
·      Evitar a cafeína, nicotina e álcool, ou qualquer droga ilícita. Elas interferem na qualidade do sono.
·      Procure exercitar-se durante o dia, mas não na hora de dormir para não ficar excitado, da prática de exercício até a hora de dormir procure uma diferença de três a quatro horas.
·      Cuidar da alimentação é fundamental. Não ingerir alimentos pensados, gordurosos ou que tenha estimulantes; apenas um lanche leve pode ajudar a dormir melhor.
·      Procure criar um ambiente agradável e confortável no quarto de dormir. Mantenha a escuridão, o silêncio, e temperatura ambiente natural, nem quente nem frio. Tampões de ouvidos podem ajudar se houverem muitos ruídos.
·      Procure criar uma rotina relaxante antes de dormir. Até mesmo colcoar os pés em água quente e depois calçar meias  e ir direto para a cama. Ler um bom livro, ouvir musica  suave, ou tomar um banho.
·      Evitar levantar-se para resolver problemas. Também evite usar a cama para outra coisa senão dormir ou sexo.
·      Se não conseguir relaxar, levante-se  e procure ler ou distrair-se com algo que não seja excitante. Só volte para a cama quando sentir sono.
·      Se estiver em um momento de muito stress, procure organizar por escrito uma lista das coisas que tem para fazer no dia seguinte antes de ir para a cama. Certifique-se que colocou nela as suas principais preocupações.

Referencia:

The National Sleep Foudation, MD Louis R Chanin

Saiba mais sobre o meu trabalho:



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sábado, 13 de junho de 2015

Terapia Focada na Compaixão

Avanços nos tratamentos da Saúde Mental
Terapia Focada na Compaixão
  
 A Terapia Focada na compaixão é uma abordagem nova, integral e multimodal, faz parte da Psicologia Evolutiva e da psicologia Contemplativa, tem seu desenvolvimento baseado na Psicologia Budista e na Neurociência. Uma das suas principais preocupações é a utilização do treinamento da mente na forma compassiva para ajudar os profissionais a terem mais ferramentas na hora de ajudar as pessoas a desenvolverem e trabalharem com as experiências do outro, principalmente desenvolvendo o calor interno, a segurança e o estado de calma através da compaixão e da autocompaixão.


As propriedades curativas da Compaixão e do Altruísmo já foram escritos à séculos. Sua Santidade o Dalai Lama salienta: se você quer que os outros sejam felizes – foque na Compaixão; se você quer ser feliz – foque na Compaixão (Dalai Lama 1995, 2001).  Muitos médicos concordam que a Compaixão é central para a relação médico-paciente e a relação terapeuta-cliente, mas somente recentemente os componentes da Compaixão foram observados através da lente da ciência, da Psicologia e das pesquisas (Gilbert 2000, 2005ª, 2009; R. Davidson 2002; 2003a).

A Compaixão deve ser pensada como uma habilidade que pode ser treinada, e quando praticada com foco ela pode influenciar os sistemas neurofisiológicos e imunes (Davidson 2003; Lutz 2008). A Terapia Focada na Compaixão refere-se à teoria subjacente e ao processo de aplicação de um modelo de Compaixão para a Psicoterapia.

O treinamento da mente na Compaixão é feito com atividades específicas destinadas a desenvolver os atributos e as habilidades da Compaixão, principalmente aquelas que influenciam na Consciência e Regulação Emocional. A Terapia Focada na Compaixão adota a filosofia de que a nossa compreensão dos processos psicológicos e neurofisiológicos estão se desenvolvendo em ritmo acelerado, que estamos agora nos movendo para além das escolas de psicoterapias tradicionais indo em direção a uma ciência mais integrada, biopsicossocial de Psicoterapia (Gilbert 2009).

A Prática Clínica

As primeiras observações foram com as pessoas com níveis elevados de vergonha e autocrítica, por terem uma enorme dificuldade de serem gentis e auto compassivas. Em segundo lugar, sabemos que os problemas causados pela vergonha e autocrítica estão muito enraizados em histórias de abusos, assédio moral, problemas interpessoais ou familiares, negligência e /ou falta de afeto (Kaufman 1989; Andrews 1998; Schore 1998). Os indivíduos submetidos à experiências precoces desse tipo podem se tornar altamente sensíveis a ameaças de rejeição ou críticas do mundo exterior e, podem rapidamente se auto atacarem, ou seja, eles transformam os mundos internos e externos em ambientes hostis. Em terceiro lugar, já foi reconhecido que o trabalho com a vergonha e a autocrítica requer um enfoque terapêutico com as memórias de tais experiências precoces (Kaufman 1989, Schore 1998, Brewin 2003, 2006 e Gilbert 2005).  E em quarto lugar, há clientes que se envolvem com as tarefas cognitivas e comportamentais de um processo terapêutico e acabam tornando-se hábeis em gerar alternativas para seus pensamentos e crenças negativas, mas ainda continuam necessitando da Psicoterapia para tratar de outros males (Rector 2000). Estes clientes costumam  dizer “Eu entendo a logica do meu pensamento alternativo, mas ele realmente não me ajuda a me sentir melhor” ou “Eu sei que não sou o culpado pelo abuso, mas eu ainda sinto que eu sou”. Um elemento chave da Terapia Focada na Compaixão está relacionado com a observação de que os indivíduos que são propensos a níveis elevados de vergonha e autocrítica podem achar que é muito difícil gerar sentimentos de contentamento, segurança ou calor em suas relações com os outros e consigo mesmo.

Evolução e Neurociência

São muitas as formas de abordar este problema, uma delas é se concentrar nas funções evolutivas que sustentam que determinados tipos de sentimentos e estilos de domínio social (Gilbert 1989). O que afeta os sistemas que nos permitem sentirmos tranquilidade, segurança e calor humano? A investigação sobre a neurofisiologia da emoção sugere que podemos distinguir pelo menos três tipos de sistemas de regulação emocional (Depue 2005): Sistemas de ameaça proteção e movimentação; sistemas de recurso de procura e emoção; sistemas de contentamento, calma e assessoria.  Evidentemente que estes não são os únicos sistemas que podem ser mapeados e conceituados.

Sistema de Ameaça e Proteção – Todos os seres vivos evoluíram com sistemas básicos de detecção de ameaça e proteção, e a cada dia compreendemos mais este sistema (LeDoux 1998 e Panksepp 1998). Sua função é perceber as ameaças de forma rápida e em seguida através do foco percebermos os sentimentos de raiva, ansiedade ou nojo. Estes sentimentos provocam ondulações em nossos corpos, alertando-nos e exortando-nos a tomar medidas contra aquilo que nos ameaça, buscando assim a proteção. Sabemos que as saídas comportamentais são: luta, fuga ou submissão ou busca do esconderijo (Marcas 1987; Gilbert 2001). O nosso sistema fisiológico é programado em favor da máxima – é melhor prevenir do que remediar (Gilbert 1998), e é facilmente condicionado (Rosen 1998) sendo também a fonte de muitos aspectos psicopatológicos.

Algumas pessoas  mais sensíveis ao sistema de proteção contra ameaças de outros indivíduos desenvolvem estratégias de segurança para respostas conflitantes.  Por exemplo, elas tornam-se submissas, predispondo a uma consciência de posição, status e poder dos outros em relação a si mesmas, percebendo-se como inferior, assim sentem-se socialmente ansiosos e inseguros, buscam a evasão em face aos conflitos interpessoais (Gilbert 2007). Tais estratégias podem aumentar sua vulnerabilidade à ansiedade e a depressão, diminuem sua autoestima o que interfere com a sua capacidade de perseguir os objetivos de vida. No modelo evolucionista, as estratégias podem envolver a combinação de estilos de pensamento, sentimento e comportamento.

Estratégias de sensibilização e detecção e proteção contra ameaças podem se tornar grandes influencias sobre as formas em que a pessoa percebe e navega no seu próprio mundo.  Na Terapia Focada na Compaixão o foco está em entender as funções dos sintomas e as dificuldades da pessoa em termos de estratégias de segurança. Os primeiros aspectos que fazem a Compaixão crescer, e fazer a pessoa reconhecer que a sua patologia e sintomas – não é culpa dela – mas que pode ter surgido devido a estratégias de segurança. E começar a desenvolver a reflexão compassiva e a validar o fato de que ela precisa desenvolver estratégias de segurança. Na Terapia Focada na Compaixão, quando os indivíduos param de criticar, condenar e culpar-se pelos sintomas, pensamentos ou sentimentos, elas ficam livres para avançar no sentido de assumir responsabilidades e aprender a lidar com elas.

Direção e Emoção

Os animais precisam de emoção e sistemas motivacionais que eles levam um direção à recompensas e obtenção de recursos importantes, que podem ser desde alimentos, oportunidades sexuais, local para nidificação ou territórios e muito mais. Nos seres humanos a função da unidade e o sistema da emoção serve para termos sentimentos positivos que energizam e levam para procurar comida, sexo, amizade etc.; é o sistema de desejos que nos guia para os objetivos mais importantes (Depue 2005). Quando vencemos a concorrência, sentimos que passamos nos exames, que podemos ter sentimentos de excitação e prazer. Assim os sentimentos ligados a este sistema estão logicamente ligados à excitação, energização e podemos dizer de sensacionalismo.  Na Psicologia Budista, os sentimentos positivos estão ligados a este tipo de sistema de realização e os desejos que satisfazem podem nos dar apenas prazeres, mas não a felicidade duradoura, porque os nossos sentimentos de prazer são dependentes da aquisição de recompensas, recursos e realizações. No Budismo a felicidade vem do cultivo e uma mente calma consciente e com compaixão focada (Dalai Lama 2001).

A Interação dos Dois Sistemas

O sistema de acionamento e o sistema de proteção contra as ameaças podem estar ligados de forma complexa, especialmente quando somos levados a evitar os eventos negativos da vida, o que aparece nos pensamentos de deveres. Algumas pessoas perseguem status, bens materiais e realização, a fim de obter segurança e evitar os sentimentos de rejeição, subordinação ou inferioridade. Porque elas podem sentir a necessidade de provarem a si mesmos que conseguem alcançar os objetivos. Assim Depue & Morrone-Strupinsky (2005) sugerem que os estado de procura, competitividade e trabalho podem evitar a rejeição e estão ligados ao sistema de acionamento.

Na depressão há um enfraquecimento do sistema, a criação de sentimentos de perda da afeição positiva e da motivação (Gilbert 2007). A Terapia Focada na Compaixão explora a função de objetivos do paciente e como o indivíduo reage se tropeçar ou deixar de alcança-los. Existe decepção ou um ataque a si mesmo ou aos outros? Algumas pessoas têm o objetivo de ser agradável, de gostar sempre. A função deste objetivo é ganhar afeto e evitar a rejeição e o conflito, e se no final isto falhar, eles se tornam autocríticos.

Contentamento Calma e Segurança

Quando os animais não precisam estar atentos, nem lidar com ameaças ou perigos, eles têm recursos suficientes para entrarem num estado de contentamento (Depue 2005). O sistema de contentamento é repleto de emoções positivas que são muito diferentes daquelas do sistema de acionamento. O contentamento está associado com uma sensação de tranquilidade, bem-estar e tranquilidade – um estado de não procura. O contentamento não é apenas a ausência de ameaças, ou de baixa atividade do sistema de proteção contra os perigos.

Como Equilibrar os Sistemas

A base para a Terapia Focada na Compaixão está nos conceitos de neurofisiologia e nos seus processos complexos, na qual formulações e pensamentos do terapeuta são organizados em torno dos três sistemas de regulação (Panksepp 1998; Depue 2005). Acredita-se que estes três sistemas podem tornar-se desequilibrados e reequilibrar um deles é um dos objetivos da Terapia.

Sensibilidade e hiperatividade da proteção contra ameaças e/ou sistemas de acionamento é um problema comum nas pessoas que possuem vergonha de si mesmas e muita autocritica. Muitas pessoas acreditam que é muito difícil sentirem-se seguras consigo mesmas e nas suas relações interpessoais.  De acordo,  com os princípios da Terapia Focada na Compaixão, o sistema que acalma não é suficientemente acessível para elas. E pode haver razões para isto, uma das mais comuns que o indivíduo pode ter sido desestimulado no começo da vida; por exemplo: uma criança pode receber mais ameaças que momentos de afeto e carinho. Pesquisas mostram que emoções como o apego deixam o indivíduo em atitudes de constante luta para poderem se sentir mais aliviados. Em consequência, desenvolvem o apego ansioso ou então passam a evitar as relações interpessoais (Mikulincer 2007). A Terapia Focada na Compaixão propõe que é o sistema calmante que pode proporcionar uma sensação de alívio e calma. Indivíduos que não sabem como acessar este sistema acham difícil terem momentos de tranquilidade ou calma, e geram pensamentos ruminantes como forma alternativa, ou adotam comportamentos inadequados.

Sistema Calmante como foco na Terapia

Neste sistema, fica claro que a Terapia Focada na Compaixão centra-se principalmente no desenvolvimento do sistema de segurança social.  Que é um sistema particularmente sensível a estímulos interpessoais de segurança social e aceitação. É também a chave para a regulação dos sistemas de proteção contra ameaças. O papel do terapeuta é ajudar o cliente a ter a experiência de segurança nas suas relações interpessoais, de aprender a ter tolerância e a sentir-se mais seguro com outros aspectos abordados no processo terapêutico afim de substituir a autocritica pela bondade consigo mesmo (Paul Gilbert 2007).

Trabalhando com a Compaixão

A Terapia Focada na Compaixão deve ser compreendida em termos de atributos e habilidades específicas (Gilbert 1989, 2005, 2009), o foco central está no treinamento da mente compassiva: ao demonstrar as habilidades e os atributos da Compaixão o terapeuta os incute no paciente. Assim, o cliente é ajudado a desenvolver uma relação compassiva interna com ele mesmo substituindo o culpado, o condenado e o autocritico. São três os aspectos do engajamento terapêutico compassivo:

1.    O Terapeuta utiliza as habilidades e exprime os atributos da Compaixão;
2.    O cliente experimenta sua interação com o Terapeuta e vai experimentando cada um dos atributos e habilidades da Compaixão;
3.    O Terapeuta ajuda o cliente a desenvolver os atributos de compaixão e habilidades direcionadas ao cliente.

Atributos da Compaixão

Cuidados para o Bem – estar
Sensibilidade
Simpatia
Tolerância ao Stress
Empatia
Não Julgamento

Habilidades da Compaixão

As habilidades da compaixão envolvem a criação de sentimentos de calor, bondade e apoio em uma série de atividades que são (como os atributos da compaixão) essencialmente multimodal e comum a muitas outras psicoterapias. São por exemplo:

Atenção Compassiva
Raciocínio Compassivo
Comportamento Compassivo
Imaginação Compassiva
Sentimento Compassivo
Sensação Compassiva

A importância da Autocompaixão

A Terapia Focada na Compaixão segue uma abordagem comportamental (considerada a Terceira Geração da Terapia Cognitiva Comportamental), sugerindo que os pensamentos e as imagens internas podem atuar apenas como estímulos externos, ativando diferentes partes do cérebro.

Conclusões

A Terapia Focada na Compaixão é uma terapia integrada à Psicologia Social, Psicologia Evolutiva, Psicologia Budista ou Contemplativa e à Neurociência. Inspira-se também em muitos outros modelos terapêuticos que desenvolveram intervenções para tipos específicos de problemas de saúde mental.  A Terapia Focada na Compaixão junta-se às tradições que buscam construir uma ciência terapêutica baseada na pesquisa e na compreensão de como a nossa mente funciona, ao invés de focar em uma escola em particular, modelo ou processo.

REFERÊNCIA:

BJPsych Advances – Artigo Terapia Focada na Compaixão, Paul Gilbert – Avanços no Tratamento Psiquiatrico, Abril, 2009 - http://apt.rcpsych.org/






















Coping Religioso /Espiritual na Psicoterapia

Muitas doenças físicas ou psicológicas são acompanhadas de um quadro clínico complexo, muitas vezes com alto grau de morbidade. Muitos traumas são acompanhados de consequências psíquicas significativas que afetam a experiência dos pacientes internados ou não, com ou sem acompanhamento psicoterapêutico. Muitos tratamentos clínicos simplesmente mitigam os sintomas da doença e preservam a vida, porém não são curativos e nem garantem a qualidade e o bem-estar. Ao contrário, o processo de tratamento pode ser difícil e doloroso, mesmo sendo essencial, e por isto ele transforma a vida do paciente, sua rotina, hábitos, relacionamentos interpessoais, o que causam mudanças em sua integridade física e emocional, afetando diretamente a vida social, profissional e familiar, incluindo até mesmo a perda da autonomia.

Ocorre que o paciente deve buscar adaptar-se ao tratamento, à própria doença em si, e a todo desconforto fisiológico que muitas provocam, e esta adaptação inclui não somente o aspecto psicossocial, mas também o espiritual. As pesquisas comprovam que muitos pacientes conseguem manter o nível de fé e na sua religião quando a possui buscando nela o apoio e alivio para o sofrimento acompanhado de todas estas mudanças.

Sabemos hoje que a religião assim como a espiritualidade está cada vez mais influenciando os tratamentos clínicos em geral e principalmente incluímos a área da Saúde Mental, pois podem ser vistas como uma maneira de encontrar um sentido para a vida, manter a esperança e o estado de calma e paz mesmo durante os procedimentos clínicos mais dolorosos, ou os momentos de profundo stress e angústias emocionais no set terapêutico, observamos isto nas doenças e dores crônicas, tratamentos oncológicos, depressão e ansiedade. Estes estudos acabaram determinando o desenvolvimento de novas técnicas de tratamento como a Terapia Focada na Compaixão, o Cultivo da Consciência e Regulação Emocional, Terapia Mindfulness entre outras. Além de cursos que motivam o profissional a conhecer mais sobre o tema.

A religião pode ser compreendida como uma expressão parcial da própria espiritualidade, praticada por diversas tradições orientais e ocidentais, seus rituais e cerimônias e dos textos canônicos de cada uma. Podemos dizer que a religião transmite uma herança cultural com seus dogmas e doutrinas, e que a espiritualidade pode ser conceituada como a essência do próprio indivíduo, que se manifesta na busca por um sentido mais claro do significado e proposito da sua vida.

Estudos e pesquisas apontam que os efeitos da espiritualidade e da religião possuem uma relação positiva em seus vários aspectos, incluindo o bem-estar físico, mental e emocional, importantes principalmente nas fases mais complexas do tratamento, das situações caóticas por ele provocado e todo o stress que acompanha a doença seja ela física mental ou emocional. Podemos considerar a espiritualidade e a religião como formas estratégicas de enfrentamento no tratamento de todas as doenças.

Coping – pode ser definido como um conjunto de estratégias cognitivas e comportamentais, na forma que os indivíduos usam para melhor lidar com as situações estressantes tanto da vida cotidiana como diante dos tratamentos pelos quais estejam passando. Cada religião oferece recursos dentro das suas crenças para lidar com os fatores agressivos como forma de ajudar o indivíduo em suas adversidades e o stress e a isto denominamos Coping ou enfrentamento religioso/espiritual.

Os profissionais tanto da área médica como os da Saúde Mental devem procurar estudar a visão funcional de cada tradição religiosa e a forma com que ensinam o enfrentamento diante de todos estes fatores. Existem funções chaves comuns a todas as religiões que já foram identificados, são eles: a busca do sentido, controle, conforto espiritual, a intimidade com o Divino, consigo mesmo e com os outros, e formas de transformar a vida. Com base nestas chaves, criaram-se métodos de enfrentamento religioso/espiritual que são identificáveis. Infelizmente este conhecimento ainda não muito pesquisado ou utilizado no Brasil, mas é um amplo tema para pesquisa, e sua relevância tem provocado mudanças importantes na forma do profissional que oferece o tratamento. No CCARE da Stanford University podemos encontrar inúmeras pesquisas que comprovam a eficácia do Coping.

O enfrentamento ou Coping tem tanto conotações positivas como negativas, desta mesma forma as estratégias religioso-espirituais também podem ser positivas ou negativas e o profissional que acompanha o paciente deve estar com capacidade para reconhecê-las. O Coping positivo possui medidas que exercem efeitos benéficos sobre o paciente, como por exemplo: a busca pela proteção divina, desenvolvimento de uma forma de conexão com a transcendência, busca pelo conforto espiritual com o dirigente da sua religião, estudo da literatura religiosa/espiritual entre outros. Já o Coping negativo, pode ser relacionado com as medidas de enfrentamento que causam consequências prejudiciais, como por exemplo: o constante questionamento na existência de Deus, a delegação da solução dos problemas ao Divino, usando a doença como uma forma de punição dada por Deus, conflitos com a sua comunidade,  dúvidas do poder justiça e amor de Deus, esperar passivamente pela intercessão divina ou por milagres, etc.

Tornou-se muito importante que os profissionais da Saúde, inclusive Psicólogos Psiquiatras e Psicoterapeutas compreendam como o seu paciente lida com o tema, de modo que todo este conjunto de medidas e recursos oferecidos possam fazer parte da terapia, respeitando a crença de cada indivíduo, o profissional também deve levar em questão a necessidade de não impor a sua própria crença, deve também considerar o líder religioso como um aliado, não patologizar estados místicos como clínicos, conhecer que certas vivência podem ser melhor aplicadas pelo líder religioso, deve manter um estado de humildade, paciência, espírito humanitário e e legitimidade científica. E aqui podemos falar em terapia holística.

Conhecer mesmo que sem a profundidade de um estudioso das religiões os métodos de enfrentamento de cada religião/espiritualidade podem servir como ferramentas de apoio muito significativas para lidar com o paciente independente do grau de gravidade de seu estado físico, mental ou emocional, e desta forma ajuda-lo a utilizar os recursos em seu próprio benefício.

Quem desejar mais informações sobre este tema tão relevante faço o convite para a Palestra sobre Coping Religioso/Espiritual  do dia 27 de Junho. Inscrições abertas pelo e-mail: saleela.devi@gmail.com onde serão passadas todas as informações a respeito.

Referência:
- Psychotherapy And Spirituality – Agneta Schreurs
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