quinta-feira, 18 de abril de 2013



MANTRA

De acordo com Ramana Maharshi, a repetição de mantras (Japa) com atenção voltada para a origem do som, envolve a mente completamente. Este é Tapas (penitência). A fonte não está somente nas cordas vocais sozinho, mas também a ideia do som na mente, cuja fonte é o Eu. Assim, a prática da repetição mântrica é mais do que uma sugestão, um conselho ou uma idéia. É um meio de entrar em contato com o nosso ser mais intimo.

Os Mantram podem ser usados para o culto religioso, através do Japamala (repetição), para a cura, para ajudar na evolução espiritual, para a purificação, para fazer oferendas e em Mantra Yoga . Alguns mantras são apenas cânticos ou expressões de proximidade com o divino. Mas alguns santos que foram inspirados pelo amor divino e pela fé inabalável usaram esses mantras em sua prática espiritual e seus seguidores depois começaram a usá-los também, chamando-os Mahamantras ou mantras grandes.

Primeiramente, é a fé que cria o efeito dos mantras. Entonação, melodia, pronúncia, se em silêncio ou em voz alta, tudo é importante na recitação dos mantras. Além disso, o ciclo de batida em que mantras são recitados é importante, mas ele muda de acordo com o estado de consciência de quem está cantando. Um aumento na velocidade de canto aumenta a velocidade de batimento cardíaco, mente e respiração. O ciclo de batida dos mantras afeta as emoções.
A velocidade rápida, por vezes, cria uma vibração contínua e quando é feito em grupo cria um bom efeito, porque a mente funciona em sincronia com o ciclo de batida do coração e sem tem tempo para fantasiar. Entoar os Mantram de forma rápida, esgota o coração, mente e respiração e produz um longo relaxamento.

Retardar o ciclo de batida de mantras também cria a mesma vibração contínua, mas ela diminui a velocidade da mente, coração e respiração enquanto o entoar estiver acontecendo. Ele induz um estado hipnótico, mas é bom apenas quando o canto de mantras é feito de forma individual. Um ciclo de ritmo médio de velocidade é bom para a entoação em grupos. Não perturbar o padrão de batimentos cardíacos ou da respiração, torna a mente mais desperta, alerta e consciente.

O local de onde o som emana influencia a sua qualidade "tonal. Tons profundos são produzidos pelas cordas vocais em conjunto com a região abdominal, tons medianos em conjunto com as regiões do coração, peito e pescoço e os tons de alta freqüência, em conjunto com a região superior do corpo. Música clássica indiana usa todas as três regiões em uma ordem gradual, mas a região central é usada porque produz um maior impacto emocional sobre os ouvintes.

sábado, 13 de abril de 2013


Sabedoria da Visão Espiritual – Canto VII
Bhagavad Gita

Fala Krsna: Escuta agora, filho de Pritha, como, mantendo o pensamento amorosamente voltado para Mim, aplicando-te à Yoga e fazendo de Mim teu refúgio, chegarás sem dúvida a conhecer-me por completo.
2. Vou revelar-te sem reservas este conhecimento e o superconhecimento. Desde que os adquira, nada resta por aprender neste mundo.
3. Entre milhares de mortais, poucos se esforçam para atingir a perfeição, e entre os que conseguem atingi-la poucos são os que Me conhecem em essência.
4. Terra, água, fogo, ar, éter, pensamento, intelecto e consciência pessoal são os oito componentes que integram a Minha natureza material.
5. Esta é Minha natureza inferior. Conhece agora, ó tu de braço poderoso, Minha outra natureza, a superior, o elemento vital que mantém o Universo.
6. Sabe que esta (Minha dupla natureza) é a fecunda matriz de todos os seres. Sou o princípio do Mundo e Sou também seu fim.
7. Não há absolutamente nada superior a Mim, Dhananjaya. Todo Universo está preso a mim, como as pérolas de um colar estão presas ao fio que as mantém unidas.
8. Eu sou, filho de Kunti, o sabor da água, a luz do Sol e da Lua, das palavras sagradas Eu sou o pranava OM (=OM). O som no éter e a virilidade nos homens.
9. Sou puro perfume na terra, o brilho do fogo, a vida dos vivos, a santidade dos santos.
10. Sabe, filho de Pritha, que Sou a semente de toda a manifestação, sou a sabedoria dos sábios e o poder dos poderosos.
11. Sou a força dos fortes, livre de apego; Eu Sou o puro amor dos amantes, ó príncipe dos bharatas.
12. Entende que de Mim procedem todas as coisas - consciência, energia e matéria; Eu não estou nelas mas elas estão em Mim.
13. Iludido pelos três atributos da natureza (satwa, rajas e tamas), que se revelam em todas as coisas, não sabe que Eu estou acima delas e sou imperecível e imutável.
14. Difícil, ó príncipe, é romper o véu de ilusão que cerca a manifestação. Somente aquele que se aproximam de Mim superam a ilusão.
15. Os maus e os insensatos não Me procuram; seu entendimento foi arrebatado pela ilusão e eles participam da natureza demoníaca.
16. Quatro espécies de homens Me adoram, Arjuna: os aflitos, os que buscam a sabedoria, os que desejam riquezas e os sábios, ó príncipe dos bharatas.
17. Entre eles, o sábio, sempre consagrado à união mística e adorando o Uno, excede todos os demais; pois o sábio Me ama acima de todas as coisas e Eu o amo da mesma forma.
18. Todos eles são nobres, mas considero o sábio como a Mim mesmo, pois consagrado à união espiritual ele vem a Mim, meta suprema.
19. Ao fim de numerosos nascimentos, o homem dotado de sabedoria chega a Mim pensando: Vasudeva é o Todo. "Um homem com tão grande alma é difícil de encontrar".
20. Aqueles, cujo desejo foi arrebatado por um desejo qualquer, procuram outras divindades, adotando tal ou qual forma de culto, de acordo com a sua própria natureza.
21. Qualquer que seja a forma de divindade a que um devoto pretenda render culto com verdadeira fé, sou Eu realmente quem inspira essa fé inquebrantável.
22. Cheio dessa fé. o devoto procura agradar tal divindade, servindo-a com esmêro e dela consegue a satisfação dos seus desejos. Mas sou Eu que lhe ofereço tais bens.
23. No entanto, a recompensa obtida por esses homens de pequeno entendimento é limitada. Quem adora os deuses vai aos deuses; quem Me adora vem a Mim.
24. Os ignorantes, desconhecendo minha natureza de ser supremo e imperecível, pensam que Eu, imanifesto como sou, tenho uma forma visível e manifesta.
25. Oculto por Meu poder criador de ilusão, não me manifesto a todos, e por isso o mundo, vítima do engano, Me desconhece. Eu que não estou sujeito ao nascimento nem à morte.
26. Eu conheço todos os seres, passados, presentes e futuros, Arjuna, mas nenhum deles Me conhece.
27. Pela ilusão dos "pares contrários", originada da atração e repulsão, ó descendente de Bharata, toda criatura, ao nascer, é conduzida ao engano, ó terror de teus inimigos.
28. Mas aqueles homens de atos virtuosos, cujos pecados chegaram ao fim, libertam-se da ilusão dos pares contrários e Me adoram com vontade perseverante.
29. Aqueles que se refugiam em Mim, esforçando-se para livra-se da velhice e da morte, conhecem
Brahma, o espírito supremo e a ação em sua integridade.
30. E aqueles que, com o pensamento concentrado, Me conhecem como Ser Supremo, Suprema Divindade e Supremo Sacrifício, também Me conhecem verdadeiramente na hora da morte.

Suporte para Iniciantes na Meditação

Se você for um iniciante nas práticas meditativas e desejar orientações de forma a incorporar a meditação na sua rotina diária de modo correto a fim de sentir os profundos benefícios que a prática provoca, estou abrindo horários na agenda para oferecer recomendações objetivas e necessárias, para proporcionar uma prática efetiva seja qual for a técnica escolhida.

Atendo com hora marcada. Para maiores informações ligue para (11) 99463-5825 ou por e-mail: saleela.devi@gmail.com
Budismo Humanista

Não há melhor fonte de sabedoria do que o Buda, e não existe melhor exemplo de como viver do que a vida dele. O Buda Shakyamuni passou 45 anos ensinando o Darma – não se escondeu do mundo nem guardou o conhecimento para si; viveu neste mundo e nele ensinou. Foi incansável em seus esforços para ajudar os outros. Uma das mais importantes práticas budistas é contemplar a vida do Buda e a compaixão que o inspirou a doar tanto de si.
O Budismo Humanista é baseado no exemplo de vida do Buda, assim como no conteúdo de seus ensinamentos. Praticamos o Budismo Humanista e nossos templos o ensinam, incentivando sua prática, porque ele é um caminho para seguir o exemplo compassivo do Buda.
 Uma Perspectiva Budista para a Vida
Alguns dos conceitos fundamentais do budismo, como vazio [shunyata], impermanência [anitya] e altruísmo, podem provocar reações negativas se forem erroneamente interpretados como algum tipo de niilismo ou um convite para se afastar do mundo. O Budismo Humanista, porém, afirma que nada poderia estar mais longe da verdade. O Buda não passou 45 anos ensinando o Darma para que seus seguidores se afastassem do mundo e da vida. Quando ideias como vazio e impermanência são adequadamente compreendidas, elas servem como ferramentas para uma compreensão ainda maior e são auxiliares na compaixão.
O Budismo Humanista não é um novo tipo de budismo, mas apenas um nome utilizado para ressaltar as lições essenciais do Buda: a sabedoria e a compaixão. Esses ensinamentos remetem-nos, invariavelmente, à vida dos outros seres sencientes. Não compreender a unidade entre natureza humana e natureza búdica é não compreender os ensinamentos do Buda.
O Budismo Humanista incentiva-nos a participar do mundo e a ser uma fonte de energia benéfica aos outros. Nossa iluminação depende dos outros assim como a deles dependem de nós. Mestre Taixu disse que existe uma única forma de nos tornarmos Budas: realizar nossa natureza humana. O grande mestre chan Huineng disse: “O budismo deve ser praticado neste mundo, e não em algum outro. Procurar a iluminação em outro lugar é tão fútil quanto procurar um coelho com chifres”.
Quando o Buda alcançou a iluminação sob a Árvore Bodhi, ele disse: “Todos os seres sencientes têm natureza búdica”. A unidade e a unicidade de todas as formas de vida nos inspiram a nos envolver com a vida. Todos devem reconhecer que são necessários. Servindo ao próximo, servimos a nós mesmos. Reconhecendo o Buda nos outros, aprendemos a encontrá-lo em nós.
 As Seis Paramitas
Muito poderíamos dizer sobre o Budismo Humanista, mas provavelmente é melhor ater a discussão às principais virtudes do caminho do bodisatva – as Seis Paramitas. Elas são o guia perfeito para o Budismo Humanista, assim como para a prática de qualquer escola budista, pois nos ensinam como exercer a nossa condição humana por meio da descoberta do Buda interior.
Descobrir a verdade pelo equilíbrio entre pensamento e ação, sabedoria e compaixão, consciência da realidade transcendente e das verdades relativas do universo dos fenômenos – eis o que nos ensinam as Seis Paramitas, que são:
1. generosidade (dana);
2. moralidade (shila);
3. paciência (kshanti);
4. diligência (virya);
5. concentração (samadhi);
6. sabedoria (prajña).
Paramita é palavra sânscrita que significa literalmente “atravessar para a outra margem”. Seu significado profundo é completude, realização, transcendência, chegada à verdade, perfeição. Às vezes, são chamadas de “as seis perfeições”. Elas são as virtudes profundas que levam à iluminação; a unidade entre sabedoria e compaixão como é esta unidade manifestada e concretizada neste mundo. Elas fundem a consciência e o comportamento, unem o estar cônscio e a virtude, constituem o caminho do meio entre o nirvana e o mundo dos fenômenos. São o fio da navalha entre este mundo e tudo o que o transcende. A seguir, cada uma das paramitas são expostas.
Generosidade
Generosidade é um conceito profundo no budismo. Uma vez que toda vida senciente é inter-relacionada e que não podemos nos iluminar sem conhecer esse fato, a conclusão é uma só: precisamos estabelecer boas relações com os outros por meio da generosidade, ou seja, dando algo de nós aos demais.
Existem muitos tipos de generosidade. Ela pode envolver objetos materiais, cuidados afetivos ou compartilhamento intelectual. Ensinar alguém a fazer alguma coisa é um ato de generosidade, tanto quanto evitar que alguém pratique um ato prejudicial. O Buda disse que a generosidade ajuda os outros a perderem o medo. A mais elevada forma de generosidade é compartilhar o Darma, pois somente ele mostra como ajudar a si próprio.
Todos os puros atos de generosidade são atos de sabedoria. É neles que reside a perfeita compreensão de que “eu” e “ outros” são elementos interdependentes e que um não pode evoluir sem o outro. A generosidade combate o isolamento; nos ensina a encontrar os níveis profundos da mente, nos quais estamos interconectados com tudo o que há no universo. Além disso, a generosidade ensina a desenvolver o desapego e a utilizar nosso tempo e nossa energia em favor do bem-estar dos demais.
Moralidade
A prática do Budismo Humanista implica manter sempre vivo em nossa mente o exemplo moral da vida do Buda. Nossa vida deve se tornar um exemplo moral digno de ser seguido pelos outros.
Um bodisatva deve liderar pelo exemplo. Se ele observar os preceitos do budismo, inspirará confiança, e os outros desejarão ouvi-lo. Seu comportamento lhes mostrará que ele compreende que a sabedoria deve ser vivida e experimentada antes que possa ser consumada. O que se ilumina não é uma ideia, mas um ser humano, a pessoa que tenha aprendido a viver as verdades da mansidão, da compaixão, da equanimidade e da generosidade. O Buda foi um ser humano que empreendeu o trabalho necessário para se tornar um Buda. A moralidade foi o meio que ele utilizou para isso.
Paciência
A paciência já foi extensamente examinada. Complementaremos apenas dizendo que ela é uma cura importante da raiva. Sempre que sentirmos raiva, devemos esperar: se esperarmos o suficiente, ela se desvanecerá. Se encontrarmos um exemplo de que isso foi verdade em nosso passado, concluiremos que continua sendo verdade agora.
Na próxima vez que sentir a raiva tomando vulto em sua mente, espere. Ela vai passar. A raiva é uma forma de ilusão. A paciência é uma forma da verdade.
Diligência
Este tema também já foi discutido anteriormente. Ele é importante no caminho do bodisatva por que a virtude da diligência nos faz perseverar e agir com base no que sabemos ser correto.
Voltada para dentro, a diligência é como uma forma ativa de introspecção; voltada para fora, é prova do nosso compromisso com o bem. Se houver esforço, melhorarmos é uma consequência natural. Se aprendermos de fato, nossas lições serão sempre novas, pois não precisaremos repetir o que já foi aprendido.
A diligência ajuda a concentrar as energias, por que evita que nos sintamos satisfeitos com pequenos ganhos e conquistas já feitas.
Concentração
Em sânscrito, a palavra para concentração é samádi. A paramita da concentração pode ser também chamada “paramitado samádi” ou “da meditação”.
A meditação é um estado de concentração profunda. Os estados de samádi são geralmente aprendidos durante a meditação sentada, mas não se deve pensar que estejam acessíveis apenas à pessoa sentada com as pernas cruzadas na posição de lótus. Conforme progredirmos no budismo, aprendemos a alcançar estados de samádi em outras situações – sentados, caminhando, trabalhando ou fazendo qualquer coisa em que se possa estar atento.
Esses estados são muito importantes, por que é através deles que ganhamos acesso a níveis superiores de consciência e sabedoria. A concentração leva à pureza porque ela é focalizada, unificada e está além das distrações.
Sabedoria
A sabedoria é a principal virtude budista, pois só ela nos diz como e quando agir. Sem sabedoria, corremos o risco de utilizar mal as outras cinco paramitas: distorcer a generosidade para fins escusos, tornar rígida e cruel a moralidade, confundir paciência com acomodação, usar a diligência para aprender habilidades prejudiciais como se fossem benéficas.
Só a sabedoria tem o poder de discernir entre o bem e o mal. Só ela nos pode levar a fazer o que é certo no momento certo. A sabedoria profunda compreende que as outras cinco paramitas são apenas aspectos dela mesma. A sabedoria que não é utilizada no serviço ao próximo nunca será profunda, não passando então de mera ideia de sabedoria.
Significados Profundos
As Seis Paramitas são as guias no caminho do bodisatva e definem o Budismo Humanista. O budismo é uma religião para as pessoas. O cerne do budismo é a mente humana. Todos os Budas foram seres humanos antes de se tornarem Budas. Assim, ensinamos o Budismo Humanista por acreditar que ele é a melhor forma de ministrar e compreender o budismo.
A riqueza do budismo reside no fato de ele se fundamentar na verdade e na capacidade de refleti-la por vários ângulos. O Buda disse que existem oitenta e quatro mil tipos de ilusão e que a verdade pode ser vislumbrada a partir de cada um deles.
As exposições deste livro apresentam as mais básicas verdades ensinadas pelo Buda Shakyamuni – verdades que não têm sentido se alienadas da vida, pois dizem respeito unicamente à vida e, portanto, são inúteis se não forem praticadas e vividas.
Por ser tão prático e útil, o budismo é às vezes considerado uma filosofia. Por outro lado, há quem o tome como a mais mística das religiões, porque suas verdades precisam ser experimentadas. Seja ele classificado como filosofia, seja como religião, o que importa é que as verdades ensinadas pelo Buda devem ser aplicadas à vida.
Se o Darma for praticado e cuidadosamente contemplado, ele guiará você ao seu despertar.

Capítulo 15 do livro Budismo Significados Profundos, Venerável Mestre Hsing Yün,
Escrituras Editora, 2ª edição revisada e ampliada, São Paulo, dezembro de 2011.
Templo Zu Lai


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Um Mapa sobre Desenvolvimento de Consciência


Ken Wilber - Resumo do Modelo da Spiral Dynamics

Ken Wilber é talvez a influência mais fundamental na perspectiva da Espiritualidade Racional, tanto por causa de seu modelo global de desenvolvimento, e seu foco sobre a relação entre consciência não-dual (espiritualidade experiencial) e a física / social / realidade material. Seu uso de Dinâmica da Espiral para simplificar e comunicar a essência de um modelo de desenvolvimento de uma forma que não só explica, mas também ilumina é uma de suas mais importantes contribuições para o entendimento popular de tanto a existência e importância dos estágios no desenvolvimento humano.
“Com base em extensa pesquisa iniciada por Clare Graves, Spiral Dynamics (desenvolvida por Don Beck e Christopher Cowan) vê os seres humanos em evolução ou em desenvolvimento através de oito grandes ondas de consciência. Por conveniência, vou reimprimir meu breve resumo destas ondas no Livro: Uma Teoria de Tudo”. Ken Wilber

Dinâmica da Espiral e as ondas de EXISTÊNCIA
Um Modelo de Desenvolvimento de Consciência


Os seis primeiros níveis são "níveis de subsistência" marcados pela "primeira camada de Pensar." Em seguida, ocorre uma mudança revolucionária na consciência: o surgimento de "níveis de Ser" e "pensamento de segunda linha", existem duas grandes ondas.
 Aqui está uma breve descrição de todas as oito ondas, a porcentagem da população mundial em cada onda, e a percentagem de poder social realizada por cada um.

1.
 Bege: Arcaico-Instintivo. O nível básico de sobrevivência; comida, água, calor, sexo e segurança têm prioridade. Usa hábitos e instintos para sobreviver. O Self distinto é mal despertado ou sustentado. Reúne-se em bandos de sobrevivência para perpetuar a vida. 

Onde é encontrado: primeiras sociedades humanas, recém-nascidos, idosos senis, em estágio avançado de Alzheimer, vítimas, moradores de rua, doentes mentais, massas famintas. Aproximadamente 0,1% da população adulta, poder de influência de 0%.

2.
 Roxo: mágico-animista. O pensamento é animista; espíritos mágicos, bons e maus, os deuses distribuem bênçãos sobre a terra ou maldições e feitiços que determinam os acontecimentos. Reúnem-se em tribos étnicas. Os espíritos existem nos antepassados ​​e aglutinam a tribo. Parentesco e linhagem estabelecem vínculos políticos. Soa "holística", mas na verdade é atomístico: "há um nome para cada curva do rio, mas nenhum nome para o rio." 

Onde é encontrado: crença em maldições do tipo vodu, juramentos de sangue, ressentimentos antigos, amuletos de boa sorte, rituais mágicos da família, superstições e crenças étnicas; é forte no Terceiro Mundo, configurações de gangues, equipes esportivas e empresariais "tribos".
 10% da população, 1% de poder. 

3.
 Vermelho: Deuses de Poder. Primeira emergência de uma tribo forte, poderosa, impulsiva, egocêntrica, heróica. Mágico-míticas, espíritos, dragões, animais e pessoas poderosas. Deuses e deusas arquetípicas, seres poderosos, forças para ser considerada como boa ou má. Senhores feudais que protegem os servos em troca de obediência e trabalho. A base dos impérios feudais - poder e glória. O mundo é uma selva cheia de ameaças e predadores. Conquistam dominam; aproveitam ao máximo, sem arrependimento ou remorso; estar aqui agora. 

Onde é encontrado: os "terríveis dois anos", juventude rebelde, mentalidades de fronteira, reinos feudais, heróis épicos, vilões de James Bond, líderes de gangues, soldados da fortuna, Nova Era narcisista, estrelas do rock selvagens, Átila, o Huno, Senhor das Moscas.
 20% da população, a 5% de poder. 

4.
 Azul: Ordem Mítica. A vida tem significado, direção e propósito, com eventos determinados por Outro todo-poderoso ou Ordem. Esta Ordem justa impõe um código de conduta baseado em princípios invariáveis ​​absolutista e de "certo" e "errado". Violação do código ou regras tem repercussões graves, talvez eternos. Produzem o código de recompensas para os fiéis. Base de nações antigas. Rígidas hierarquias sociais; paternalistas; uma maneira correta e apenas uma maneira correta de pensar sobre tudo. A lei e a ordem; impulsividade controlada através da culpa; crença concreto-literal e fundamentalista, a obediência à regra da Ordem; fortemente convencional e conformista. Muitas vezes, religioso” ou mítico” [no sentido filiação mítica; Graves e Beck se referem a ele como o nível "santo / absolutista"], mas pode ser Ordem secular ou ateísta ou Missão. 

Onde é encontrado: América Puritana, China confucionista, Inglaterra de Dickensian, a disciplina de Cingapura, o totalitarismo, códigos de cavalaria e honra, boas obras de caridade, o fundamentalismo religioso (por exemplo, cristão e islâmica) Boy e Girl Scouts, "maioria moral", patriotismo.
 40% da população de 30% de poder. 

5.
 Laranja: Realização Científica. Nessa onda, os próprios escopos da "mentalidade de rebanho" de azul, e procura a verdade e o significado em termos individualistas - hipotético-dedutivos, experimental, objetivo, mecanicista, operacional - "científica" no sentido típico. O mundo é uma máquina racional e bem afinada com as leis naturais que podem ser aprendidas, controladas e manipuladas para os seus próprios fins.  Realização altamente orientada, especialmente (nos Estados Unidos) para ganhos materiais. As leis da ciência regulam a política, a economia, os acontecimentos humanos. O mundo é um tabuleiro de xadrez em que os jogos são disputados como vencedores ganhar preeminência e privilégios em detrimento dos perdedores. Alianças de mercado; manipulação dos recursos naturais para os ganhos estratégicos. Base de estados corporativos. Verbo característico – Ter.

Onde é encontrado: O Iluminismo, Atlas Shrugged de Ayn Rand, Wall Street, classe média emergente em todo o mundo, a indústria de cosméticos, troféu de caça, o colonialismo, a Guerra Fria, a indústria da moda, materialismo, humanismo secular, auto-interesse liberal.
 30% da população, 50% de poder. 


6.
 Verde: O Ser sensível. Comunitário, vínculo humano, sensibilidade ecológica, networking. O espírito humano deve ser livre de ganância, dogma, e divisão; sentimentos e cuidados substituem a fria racionalidade; apreço da terra, Gaia, a vida. Contra a hierarquia, estabelece ligação lateral e ligando. Eu permeável, auto-relacional, entrosamento do grupo. Ênfase no diálogo, relacionamentos. Base de comunidades de valor (ou seja, afiliações livremente escolhidas baseadas em sentimentos compartilhados). Atinge decisões através da reconciliação e consenso (lado negativo: "processamento" interminável e incapacidade de tomar decisões). Espiritualidade de atualização, trazer harmonia, enriquecer o potencial humano. Fortemente igualitário, anti-hierarquia, valores pluralistas, construção social da realidade, a diversidade, o multiculturalismo, sistemas de valores relativistas; essa visão de mundo é muitas vezes chamada de relativismo pluralista. Pensamento subjetivo, não-linear, mostra um maior grau de calor humano, sensibilidade e cuidado pela Terra e todos os seus habitantes. Verbo característico – Ser.

Onde é encontrado: ecologia profunda, pós-modernismo, idealismo holandês, aconselhamento rogeriano, sistema de saúde canadense, psicologia humanista, a teologia da libertação, a investigação cooperativa, o Conselho Mundial de Igrejas, Greenpeace, direitos dos animais, ecofeminismo, pós-colonialismo, Foucault / Derrida, politicamente correto, movimentos de diversidade, as questões de direitos humanos, Ecopsicologia.
 10% da população, 15% de Poder. [Nota: este é de 10% da população mundial. Don Beck estima que cerca de 20-25% da população americana é verde.] 

Com a conclusão do Meme Verde, a consciência humana está pronta para um salto quântico em "pensamento de segunda ordem."
 Clare Graves refere a ele como um "salto importante", onde "um abismo de profundidade inacreditável de significado é atravessada". Em essência, com consciência de segunda ordem, pode-se pensar tanto vertical quanto horizontalmente, usando as duas hierarquias e heterarquias (ambos os ranking e a ligação). Pode-se, portanto, pela primeira vez, se apoderar vividamente de todo o espectro de desenvolvimento interior, e, assim, ver que cada nível, cada Meme, cada onda é de importância crucial para a saúde da espiral global. 

Como Ken Wilber diria, cada onda "transcende e inclui".
 Ou seja, cada onda vai além (ou transcende) o seu antecessor, e ainda inclui ou abraça em sua própria maquiagem. Por exemplo, uma célula transcende mas inclui moléculas, que transcendem mas incluem átomos. Para dizer que uma molécula vai além de um átomo não quer dizer que as moléculas odeiam os átomos, mas que elas os amam: elas os abraçá-los em sua própria maquiagem, que incluem, elas não os marginaliza. Só assim, cada onda de existência é um ingrediente fundamental de todas as ondas subsequentes, e, portanto, cada uma deve ser valorizada e ser abraçada. 

Além disso, cada onda pode ser ativada ou reativada como mandado de circunstâncias da vida. Em situações de emergência, podemos ativar as unidades de energia vermelha, em resposta ao caos, que talvez seja necessário ativar a ordem azul, em busca de um novo emprego, que pode precisar de unidades de realização laranja; no casamento e com os amigos, fazemos uma ligação verde. Todos esses Memes têm algo importante para contribuir.
 

Mas o que nenhuma das Memes da primeira linha pode fazer, por conta própria, é apreciar plenamente a existência das outras Memes.
 Cada uma das Memes de primeira linha acredita que sua visão de mundo é a perspectiva correta ou a melhor. Ela reage negativamente ser desafiada, ela ataca, usando suas próprias ferramentas, sempre que esteja ameaçada. A Ordem Azul é muito desconfortável com tanto impulsividade do vermelho e o individualismo laranja. Individualismo laranja acha que a onda azul é para otários e o igualitarismo verde é fraco.   O igualitarismo Verde não pode facilmente cumprir a excelência e valor dos rankings, das grandes imagens, hierarquias, ou qualquer coisa que pareça autoritário e, portanto, reage fortemente ao azul, laranja, e a qualquer coisa oposta.

Tudo isso começa a mudar com o pensamento de Segunda Ordem. Porque o segundo escalão da consciência está plenamente consciente dos estágios interiores de desenvolvimento - mesmo que não possa articulá-los de uma forma técnica - dá um passo para trás e agarra a imagem da onda inferior, portanto, o pensamento de segunda ordem valoriza o papel necessário que todos os Memes. A Segunda Ordem de consciência pensa em termos da espiral global da existência, e não apenas em termos de um nível qualquer.

Quando o Meme verde começa a entender os vários sistemas diferentes e os contextos pluralistas que existem em diferentes culturas (é por isso que é realmente a meme sensível, isto é, sensível à marginalização dos outros), o pensamento de segunda ordem dá um passo além.
 Ele olha para os contextos ricos nesse link e se junta a esses sistemas pluralistas e, portanto, tem esses sistemas separados e começa a abraçar incluir, e integrá-los em espirais holísticos e malhas integrais. Pensamento de segunda ordem, em outras palavras, é fundamental para passar do relativismo para o holismo, ou do pluralismo para o integralismo. 

A pesquisa extensiva de Graves, Beck e Cowan indica que há pelo menos duas grandes ondas a esta consciência de segunda linha integral:
 

7.
 Amarelo: Integrativa. A vida é um caleidoscópio de hierarquias naturais [holarquias], sistemas e formas. Flexibilidade, espontaneidade e funcionalidade têm a maior prioridade. Diferenças e pluralidades podem ser integradas interdependentes, fluxos naturais. Igualitarismo é complementado com graus naturais de classificação e de excelência. Conhecimento e competência deverão substituir o poder, status, ou a sensibilidade do grupo. A ordem mundial que prevalece é o resultado da existência de diferentes níveis de realidade (Memes) e os inevitáveis ​​padrões de movimento para cima e para baixo da espiral dinâmica. Um bom governo facilita o surgimento de entidades através dos níveis de complexidade crescente (hierarquia aninhada). 1% da população, de 5% de poder. 

8.
 Turquesa: Holística. Sistema holístico universal, hólons / ondas de energias integrativas; une sentimento com o conhecimento; múltiplos níveis interligados em um sistema consciente. Ordem universal, mas em uma vida, moda consciente, não baseado em regras externas (azul) ou obrigações de grupo (verde). A "grande unificação" ["teoria de tudo"] é possível, na teoria e na atualidade. Às vezes envolve a emergência de uma nova espiritualidade como uma malha de toda a existência. Pensamento turquesa usa a espiral inteira; vê vários níveis de interação; detecta harmônicos, as forças místicas e os estados - invasivos de fluxo que permeiam qualquer organização. 0,1% da população, 1% de poder. 

Com menos de 2 por cento da população em pensamento de segunda ordem (e apenas 0,1 por cento, a turquesa), a consciência de segunda ordem é relativamente rara, porque é agora a "vanguarda" da evolução humana coletiva.
 Como exemplos, Beck e Cowan mencionam itens que incluem noosfera de Teilhard de Chardin, caos e teorias da complexidade, sistemas universais de pensar, teorias integral-holísticas, Gandhi e integração pluralista de Mandela, e os memes ainda maiores ainda em à vista ...


Referências bibliográficas:
- Uma Teoria de Tudo – Ken Wilber
- Spiral Dynamics – Don Beck e Christopher Cowan



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